Aqui já usei quase todo o meu repertório masoquista e desfiz boa parte das minhas ideias comunistas. Esse espaço é meu, mas desejei compartilhá-lo com o mundo, se você faz parte dele...Então seja muito bem vindo(a)!

sábado, 27 de maio de 2017

Eu, bile negra



Hoje acordei nostálgica. Ou mais nostálgica que o habitual? Não sei.
Quero ter certezas e a única que tenho é a que o tempo não pára.
O tempo passa e a vida escorre por entre meus dedos. Eu que desesperadamente tento agarrar tudo com força me desespero por pensar no quanto tudo passa rápido. E por querer congelar alguns minutos, e dias, e horas, e pessoas, eu sinto muito, com a intensidade de uma avalanche me soterrando eu sinto falta delas... Quero guardar todas as pessoas especiais num potinho de amor.

10 anos.
Estive pensando nos últimos 10 anos da minha vida.
Das pessoas que conheci, que entraram, saíram, se foram e permaneceram "apesar de". Pensando nas cartas que escrevi e entreguei. Nos amores que nunca me permiti. Nas dores tantas vezes silenciadas pelo meu auto abandono necessário para não sentir.

E jogada nesse mar de pensamentos estou no chão.
No chão da cozinha, deitada e despida.

De calcinha, de blusa e de meus medos, avanço nos ininterruptos pensamentos sobre minhas mudanças. Vou fazer faxina, estou apenas criando coragem. É que só desse jeito me permito o dessabor de pensar na minha vida, nas minhas involuções e avanços. E diante dos barulhos dos meus pensamentos me pego perplexa comigo mesma...No quanto caminhei, onde cheguei e nos anos em que conquistei as maiores vitórias e fracassos. Algumas coisas foram difíceis, sobretudo as que envolveram decisões radicais, mas mantive até aqui...Mantive acesa a luz da esperança (e também do medo). Aquela luz do fim do túnel que nos faz procurar sempre uma saída.

Estou escrevendo aqui pra dizer a mim mesma, pra me convencer que estou de fato envolvida numa trama, e que embora pareça irreal e às vezes seja surreal, ela existe. Para além das minhas paranoias existe alguém realmente e isso me assusta, sim, e tenho medo. Um medo cujas hipóteses levantadas para sua explicação fogem ao meu controle, e assim, como minha vida insiste em escorrer por entre minhas mãos, não gosto. No entanto, paradoxalmente gosto desse medo estúpido, porque ele me poupa da dor, porém abomino a ansiedade que vem de bônus e normalmente estraga tudo. Gosto de saber-me importante para alguém, porém temo pelo futuro sempre incerto e quero matar a ansiedade que me assombra.

Por quê? Porque tenho mania de viver no futuro e se não me vigio um instante me transporto pra outro universo facilmente e passo a viver nele como meio de fugir da realidade. Tudo bem, não me é vergonha admitir que o medo de sofrer me poupou de muitas decepções, mas a vida continua sorrindo e acenando de longe pra mim que morro de medo de viver. E ironicamente eu que amo tanto viver observo e correspondo com um balançar tedioso de cabeça confirmando a triste constatação: sou mesmo uma medrosa!

Há que se admitir que sou uma romântica medrosa. Ou seria uma medrosa romântica? Não dá pra entender como alguém que adora viver, que aprendeu a amar a vida com tanta intensidade, deseje tanto correr, fugir, escapar da possibilidade de viver com plenitude.

O que é isso que estou fazendo comigo?

Por que tenho que criar tantos personagens e não revelo que por trás dessa minha enorme insegurança existe uma pessoa adorável e alegre? Que ri de coisas bobas e tem um coração de manteiga?
Por que tenho medo de ser rotulada e ironicamente quero um rótulo?
Por que quero sabotar tudo pra depois dizer "eu bem que lhe avisei?".
As perguntas são muitas e fervilham na minha cabeça simplesmente porque quero entender tudo o que se passa.

Quero tudo.
Quero a tola sensação de estar no controle e quero o silêncio.
Quero coisas que inexistem. Aliás, que existem apenas na ficção dos meus nervosos pensamentos.
Quero amizade, mas quero amor também.
Quero certezas, mas quero o direito a dúvida, pois que graça haveria de ter a vida se eu já soubesse de tudo?
Eu quero estar com, mas quero também estar só. Sobretudo porque eu amo e preciso da minha companhia.
Quero saber-me esperta, no entanto tola.
Quero tudo e tantas coisas que assusto, me assusto. Quem aguenta?
Se eu contasse metade dos meus espantos, quem ficaria?

Eu já falei que não me entendo?
Os pensamentos são meus, as paranoias do meu superego, e sim, os sentimentos? Nossos.
Não o culpo. Eu também quis, quis sim.
Quero.
Não me arrependo. Eu sei, não sou normal, mas que bom!
Se há drama? Sim, mas em qual história ele não está presente?
Vamos, você mestre da história do mundo, curtidor incorrigível da biografia alheia (ou só um fofoqueiro mesmo!) me conte...Qual história não envolveu um belo drama?

Somos complicados, ótimo! Nunca gostei de pessoas simples, de fácil leitura, me entedio facilmente. Não mudo de ideia muito rapidamente, sou ranzinza e orgulhosa, é preciso fundamentada argumentação teórica pra me fazer voltar atrás. Porque quero sempre ter a explicação do que vivo e do por que vivo, mas hoje aceito humildemente que não há explicações, apenas chegamos até aqui. O que  honestamente desejo por hora é ser-me paciente para continuar sendo contigo o que sou, uma feminista (pessimista pra termos razões pra discutir), despida dos muitos personagens, felizmente já conhecidos e intrigados teus.

E aviso: não espero nada além do que é humano, afinal o que esperar de nossa falha condição senão desilusão e encantamento? Os superpoderes estão na ficção, somos carne e osso, você mais carne, claro, e eu mais osso! (perco o amigo, mas a piada..!)

Sinto muito pelo que já errei. Não acho que começamos muito bem, eu estava com medo. Não justifica, mas explica. Agora tenho que te dizer, a viagem já começou e aviões não possuem marcha ré, então só me resta continuar sendo. Sendo de preferência contigo, porque qualquer coisa dividida parece válida neste momento. Espero não te enlouquecer (no bom sentido) e tentarei não me importar tanto com os rótulos, no entanto esteja certo que vou falhar, e leve na bolsa muita paciência. O resto a gente pode assegurar nas conversas de meio de caminho.

E sim... Sobre o que eu vi em você? Liga pra mim que te conto!
Beijoo.

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