Aqui já usei quase todo o meu repertório masoquista e desfiz boa parte das minhas ideias comunistas. Esse espaço é meu, mas desejei compartilhá-lo com o mundo, se você faz parte dele...Então seja muito bem vindo(a)!

quinta-feira, 10 de julho de 2025

Uma carta para lembrar

Você sabe como escrever uma carta? Venha relembrar! 

Nos dias tristes, tenha um Pinscher, pois seu coração aos pedaços precisa de alerta e leveza.

Nos dias silenciosos, tenha um gato, um companheiro tranquilo que entende seu silêncio.

Nos dias nublados, tenha uma calopsita, com cores suaves para pintar sua alma cinza.

Nos dias ensolarados, tenha uma Shih Tzu, com alegria vibrante para celebrar a luz.

Nos dias sombrios, tenha Deus, alguém maior para sustentar o que você não sustenta. E nos dias alegres, tenha a certeza de que esses momentos também irão embora — mas, acima de tudo, no dia a dia, tenha um amigo para compartilhar os piores pensamentos sem medo. Alguém com quem arquitetar um crime que nunca será cometido, mas que faz sentido só por existir na imaginação de vocês. Alguém que, mesmo em silêncio, entende o que seu coração quer dizer, mesmo sem palavras.

Obrigada por ser essa amiga. Mesmo imperfeita, você está aqui — e sabe que eu também estarei, sempre. Sem saber como, nem quando ou onde, mas juntas, existimos. Obrigada pelos dias alegres e principalmente pelos dias tristes. Por me fazer rir do ridículo, pelo seu humor negro — às vezes horrível, mas que me faz gargalhar até a alma vibrar.

Você é incrível.

Às vezes só falta acreditar mais nisso.

sábado, 7 de março de 2020

Clandestinamente



Eu não entendo, mas me eximi no momento de entender. Não quero entender nada, apenas sentir. É que me foi podada a liberdade de ser quem sou para satisfazer quem querem que eu seja...e eu simplesmente cansei. Só agora me permito a liberdade de não entender, uma vez que não entender presume confiar na vida. E eu sei, posso me arrepender, mas não há quem nunca tenha se arrependido, não é mesmo? Então entre se arrepender de ter vivido e não ter vivido, melhor será a primeira opção.

Estou sentindo. No momento a única coisa que almejo é respirar o ar sem peso. Sem esse peso todo que colocaram no oxigênio que eu respirei por 32 anos. O peso de uma vida perfeita, de uma filha, neta, sobrinha, prima perfeita. De alguém que não tem o direito a fazer escolhas pensando somente em si.

Espero somente que o peso que ainda insiste em permanecer seja dissipado pela alegria de ser quem sou ao lado de quem hoje eu não entendo como, mas amo. Amo simplesmente a ideia de estar com ele, mas amo muito mais a pessoa e a realidade dos fatos. Não cabem idealizações, não cabem esteriótipos de perfeição. A gente briga, eu surto, ele surta, a gente viaja nas ideias, curte o silêncio e o abraço, reclamamos das coisas que não gostamos, ele é um porre com horários (pontual demais é defeito pra mim) e sim, ele tem sido minha felicidade clandestina desde 18 de novembro em que secretamente decidi me apaixonar.

Eu decido as coisas pensando. É estranho, mas é meu modo operandis. Sempre penso, penso tanto que chego a exaustão de mim. Uma overdose de sinceridade entre mim e Deus surgiu a partir desse dia. Eu quem respiro pesado porque Deus foi me apresentado como o carrasco de minha existência. Mas estou ressignificando a imagem e a vida (embora ainda espere Deus se levantar e lançar seu castigo sobre sua filha rebelde).

É que não sei como se pode viver sem entender tudo. Mas viver tem sido mais prazeroso do que ter respostas e mais do que respostas eu tenho tido amor. E amor é resposta, mas também é pergunta, e eu adoro indagações. Passo horas em devaneios e perdida em questionamentos. Eu que resolvi amar quero ver se consigo aguentar a pressão de ser quem eu sou e ainda não fugir da minha vida. Eu quem agradeço a Deus a vida descobri que na verdade nunca a experimentei de fato, foram apenas ideias do que seria viver. Agora não, agora tenho tanta coragem que tenho medo.

A coragem de buscar minha felicidade me mostrou que eu me transformei numa clandestina do outro. Me escondi tanto no outro que esqueci quem sou. Mas já foi pago um resgate e eu estou no meio do caminho olhando pra ilha que vivi e pra o céu que é o meu limite. Espero que até chegar lá o ar pesado tenha se dissipado e eu possa junto com o meu amor achar o melhor caminho.

Não quero tomar rumos que me façam desistir das pessoas que fantasiaram minha perfeição, mas também não quero continuar fugindo de mim mesma. Preciso me revelar na fotografia colorida de quem sou. As imagens preto e branco deram espaço pra alegria de saber-me amada e capaz de amar e hoje é só isso e as conversas aleatórias que me interessam!

27/01/2020

domingo, 7 de julho de 2019

Mamãe, qual o sentido?


Estava procurando um livro para ler agora que entrei de férias e ironicamente me deparei com o primeiro livro de Psicologia que comprei enquanto era uma simples graduanda..."Mamãe e o sentido da vida", de Irvin Yalom, que não por acaso, não concluí a leitura. Parece-me que esse livro me atraiu mais uma vez, (existe atração à segunda vista?) Espero que sim, pois de fato parece que o universo inteirinho conspirou e parou pra que eu o lesse novamente, mas dessa vez não como uma inexperiente que apenas tenta e fracassa, mas sim como alguém que deseja descobrir o real sentido das coisas.

Diferentemente de antes, hoje eu reconheço que preciso estar pronta. Mas ainda me encontro nas trincheiras da abertura necessária para o confronto. Dói-me o tapa na cara, no entanto ele é fundamental. Por isso quero ler este livro como quem descobre o manual, o passo a passo para o destino, e faz da leitura o caminho para a mina.

Hoje, eu que estou em busca do sentido me encontro consciente dessa busca e sigo me cobrando o respeito do nada fácil processo...logo eu que sempre quis avançar etapas por não suportar a dor da reconhecida falibilidade. É que encontrar o sentido das coisas, do que faz bem e do que não, do que é meu e do que não, dos meus fantasmas e do dos outros, do que sou boa e do que não, me levou a entender o mundo todo  por uma única perspectiva, porque crescer em um ambiente onde nada era bom suficiente às vezes gera uma busca insaciável por uma padrão que particularmente já não tenho me permitido mais.

É cruel cobrar-se tanto, portanto apenas vivo, isso já tem sido mais do que necessário por hora. Aliás, por falar em hora, me dei conta exatamente agora de que assim como na história do livro, minha mãe está em quase tudo que envolve algum sentido. Isso porque como bem disse Yalom "[...] os filhos que foram maltratados geralmente acham difícil desvencilhar-se de suas famílias disfuncionais, ao passo que os filhos crescem e se desligam com muito menos conflito de pais bondosos e amorosos" (p. 14). Talvez esta seja a razão para que eu apesar de estar morando sozinha há anos ainda não tenha aceitado a minha real condição de solidão.

Por fim, posso sem medo de pré-julgamentos equivocados afirmar que a vida está me convidando a dar sentido para tudo o que outrora não tinha sentido algum, ou aliás, tinha, porém um sentido deturpado pela alienada maneira de viver de meus pais, sobretudo de minha mãe que usou de meu silêncio para calar suas próprias dores. Então para minhas dores, hoje quero oferecer empatia. Para os dissabores um sorvete palatável sem pressa ou agonia. Para minhas tristezas muitas vezes silenciadas em medos e padrões de pensamento limitantes, paciência e desconstrução. Para a intolerância, bondade. Para a rejeição, doses cavalares de amor próprio.

E para mim apenas sentir, seguir e dizer: o caminho do sentido e o sentido do caminho não quero apenas encontrar, quero reinventar, e se necessário for destruir para me re-construir. 

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Culpa e reparação



Eu só funciono à noite, adoro escrever, e sim, escrevo bem. Penso demais também, e seguindo o fluxo acelerado dos meus pensamentos sofro exaustivamente, na mesma intensidade que minhas desesperadas sinapses. No entanto, já aprendi a me manter neutra quando estou transformando alguma informação em conhecimento, e não mais me apresso em emitir minha opinião mesmo quando solicitada. Penso duas vezes, afinal aquela idade em que a impulsividade dá lugar à paciência meio que chegou, forçada ou não, mas chegou.  

Queria dizer aqui também, já que parece um confessionário, que gosto da sensação de estar sempre aprendendo, mas tenho uma enorme dificuldade com rotinas. Estudo por lazer, leio por prazer, pesquiso por puro ódio ao tédio da ignorância. E é como um êxtase, me entrego por completo! Porém agora me recordo que esse problema é antigo e que certa vez um professor me falou sobre esta dificuldade de seguir rotinas, e isso em tom de questionamento afirmativo (se é que vc me entende!)... Mas eu senti como uma grave acusação, claro! Como assim descobriram minha maior fraqueza sem meu consentimento?! Diante do fato me denunciei, obviamente não com palavras, apenas com uma expressiva careta. Tenho mesmo, não nego, nem jamais virei a negar que odeio rotinas, embora reconheça a urgente necessidade que tenho delas. Preciso de rotina pra fugir um pouco de mim mesma, porque sofro de ansiedade aguda, latente, desesperadora, e o ócio nunca é produtivo se eu não me agarrar a algum livro ou de vez em quando a um dorama (também sou gente e adoro um drama!). Mas, como tudo na vida, sou feita por épocas...e esse é meu maior drama! É que me entedio fácil, nem sei explicar. O que hoje me chama muita atenção eu esgoto em algumas horas e já era. Eu sou aquele tipo de pessoa louca...na minha vida há momentos em que só assisto dramas históricos e há outros em que comédias românticas clichês me salvam.

Tô aqui descrevendo essas coisas todas como se fosse acordar amanhã após 8h de sono reparador. Mas além de já ter ultrapassado a hora máxima pra dormir esta noite, eu tô pensando é na aventura que vai ser acordar na hora certa amanhã (nas 1000x que vou colocar o despertador na soneca!), na aula de terça que vou dar, no que vou comer amanhã e de praxe no ócio do dia de hoje que graças a uma gripe ou virose ou infecção respiratória (sei lá o que é que tenho!) passei o dia mal, a maior parte deitada após muitas nebulizações. Mas nem sei porque loucamente comecei a disparar e escrever aqui. Honestamente meu ócio chegou no limite do inaceitável e talvez isto aqui seja uma tentativa de dizer que não foi tão ruim assim..

Tenho 8 meses pela frente, muitos quilômetros a percorrer, muitos livros a ler, muitas unhas por pintar, muita gente tediosa a aguentar, muitos alunos pra responder, muita gente boa a conhecer e muita gente chata também a aturar. Mas sobretudo tenho tempo pra usar e francamente essa é a parte que me assusta. Preciso de uma rotina diária pelo menos de alimentação decente, balanceada, até porque não conheci ninguém que sobreviveu de livro, filme e internet (a ordem a gente nem vai comentar!). Estou necessitada de uma atividade física e esse texto nem é uma tentativa de recriar aquelas listinhas mentais que todo ano a maior parte das pessoas fazem para se prometer o que vão e não vão fazer no ano que se inicia. Eu tô escrevendo por algum desencargo de consciência mesmo sobre o dia de hoje. 

Fazia um tempão que não me sentia culpada por ficar largada no ócio, talvez porque me deixei entregue ao meu corpo preguiçoso, esguio e febril não apenas hoje. Agora o cérebro pensa e o corpo padece, porque a culpa é uma merda. Mas chega de dias ociosos demais, inúteis demais, fúteis demais. Chega de ficar na superficialidade, mesmo que o existencialismo sartreano tenha me cansado. Eu quero é sofrer! Ficar na impropriedade, no inútil do Ser não deve durar mais do que 1 mês, e acho que tô batendo o recorde nisso aí e é melhor começar a ter medo mesmo... vai que eu me acostume e ache a inexistência confortável?! 

Agora já deu minha hora e preciso ir, prometo voltar aqui pra falar sobre qualquer coisa, mesmo que existencialista demais, mesmo que sobre Nietzsche! Beijo para mim e para quem teve paciência de ler até o fim.

domingo, 22 de janeiro de 2017

Quem sabe?



Eu podia escrever crônicas, quem sabe? Sob um molde terapêutico, talvez. Uma forma de expelir meus demônios interiores que há meses recuso se quer lembrar que os tenho. Já faz tanto tempo que não me escrevo numa linha torta qualquer que até temo por essa ousada investida de início de ano.

É que estava relendo o prefácio (é eu leio prefácios!) do livro que não sei por qual miserável razão eu adio a leitura do infeliz infinitamente. O livro? O carteiro e o poeta.

Mas, voltando...Depois de alguns parágrafos lendo o prefácio me senti identificada, e incrivelmente me peguei pensando: “Por que não? Why not? não é mesmo?!” Por que não escrever diariamente? Ou semanalmente pelo menos? Não por obrigação, talvez sim, uma obrigação disfarçada de amor.

Não entendo como o que mais amo fazer deixei de lado e sucumbi ao tédio das palavras ditas, aliás, (mal)ditas. Sempre achei que me expressava melhor por caneta e papel. Pode ser apenas uma ilusão minha, talvez, quem sabe? Ultimamente não tenho feito nada além de me permitir muitos devaneios! Aliás estou entregue às baratas, uma pena que nem é a barata de G.H, se é que você me entende.

Estive pensando no quão sacrificante foi escrever durante o mestrado e qual a relação deste suposto bloqueio pra me dizer escrita numa crônica bonita ou numa história boba. Por hora só tenho conjecturas, e preguiça, claro!

Muita preguiça. Mórbida, existencial até.

Agora só lembro que assisti mais alguns episódios (quatro pra ser mais precisa!) de um seriado coreano, Amor e Casamento. Ah e também cortei as unhas das mãos, estou me sentindo completamente desprotegida, porém leve, sem minhas garras de tamanduá.

Não tenho muito sobre o que falar agora, estou quebrando um movimento de resistência que já dura dois anos.  Então, paciência, é a palavra da vez, aliás, é a palavra da vez desde a metade de 2016. E é ela que falo e peço todo santo dia quando me vem a vontade de escrever, mas a solidão poeta me assola dizendo “pra mais tarde”... “Deixa pra mais tarde!” e assim eu nunca retomo. Só que hoje já é mais tarde de todas as tardes, já é madrugada de 2-0-1-7. Dois anos de uma vida de desprezo às palavras. Essas e milhares de outras escritas aqui!

Tenho coisas a falar, quero começar por um absurdo inicial. Mas tenho preguiça. Por hora deixarei pra depois. Amanhã? Talvez...Quem é que sabe?

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Sobre(vida)



Nunca gostei de pratos rasos. 

Eu que sempre fui intensa passei a vida usando hipérboles, mas não passei de uma metonímia de mim mesma, a artista que sou. Eu que ironicamente gosto de brincar com as palavras tive desde cedo a consciência dos meus limites.  Mas como transpô-los? Ah, me perdoem os adoradores de hipérboles...mas ela esconde um pouco desse prato raso que às vezes a vida moderna é! E como é urgente essa necessidade de fugir da realidade que insiste em bater na porta da minha consciência.  Mas urge em mim ainda mais a crueldade da qual não posso fugir e que embora tendo escapado muitas vezes enfim, uma vez tocou-me profundo...o quase morrer. O "e se eu tivesse morrido?" pela primeira vez foi latente, abafei gritos estridentes que me forçaram bruscamente a mudar. Eu precisava, por mim. Mas ainda me é difícil não resistir. Passei tanto tempo igual que é difícil ser diferente.  No entanto estou aqui viva e aprendendo a viver sigo na busca...muitas vezes esdrúxulas, muitas vezes neurótica, passo horas pensando no que nunca consigo falar. Por essa razão eu vim aqui dizer,  desse encontro comigo que fazia tanto tempo que eu não queria ter. Eu quase morri, sabiam? E a certeza da morte me amedrontou desta vez.  O sofrimento que já não era espera, mas doía, foi a mola certa, foi a crônica de vida que eu precisei.

Por quê? 

Porque a morte passou por mim e me deu um tapa na cara, e eu que sempre fui ousada não revidei. Aceitei humildemente que ela tinha razão e que era eu que desesperadamente precisava mudar. Acordei de uma segunda cirurgia, mais fraca, menos valia, arrasada por nada poder. Me senti traída pela morte e agora que eu tinha vida precisava levantar. Dei uma rasteira nos meus medos, fui caindo em desespero, mas nada podia além de chorar. E chorei, chorei muito, não podia falar. Estava impossibilitada de usar palavras, estava amarrada e tudo que saíam eram minhas lágrimas moídas pela dor lancinante de ver quão fraca eu sempre fui. É tão difícil ser humana, ver de fato como somos e o limite que nos separa do oxigênio artificial.  
Fiquei com muitas marcas. Tenho cicatrizes. 7 placas, 41 parafusos bem no meio da cara para ser mais exata. A morte não me levou, mas fragmentou vários ossos. Por isso os sintomas ainda persistem. Mas para além das minhas dores e medos, minha vontade de viver. De experimentar o que eu nunca me permiti. De sofrer mesmo com toda ansiedade e dor que minha intensidade me fez lembrar de desistir. 
Enfim...cansei. 
Cansei de mim, de minhas máscaras de fortaleza inacessível que me fizeram ser quem sou.  Eu não quero perder a vida sem saber como foi viver.  Não posso mais lidar com isso, foi forte a tapa que levei, ainda estou me recuperando, meu queixo formigando me lembra disso todas as noites e sou grata. Passei perto do inferno, mas a morte me deu uma chance e agora preciso aprender a aproveitar. Com um pouco de neurose, inevitável, mas hei de aproveitar.

Texto escrito em 14 de nov de 2016.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Sobre o amor



Uma constatação: O amor é difícil.

Difícil porque amar é uma escolha e nem sempre estamos dispostos a escolher. Às vezes tudo que queremos é empurrar todas as coisas com a barriga, assim como fazemos com pequenas decisões do dia-a-dia, como comprar ou não comprar determinado produto sem ter o prazo de garantia estendido.


É que a gente tem medo do que pode vir a acontecer com o produto...e depois? Depois de quebrar (todo produto está sujeito ao desgaste) dá tanto trabalho levar pra assistência técnica, e depois porque passaremos um tempo sem desfrutar do que compramos que há momentos em que desistir é simplesmente a melhor das alternativas. Nem comprar, nem dar aquela “olhadinha” nos benefícios dos produtos.  Não fazer investimentos que não temos uma garantia parece ser a solução em alguns períodos da nossa vida. Mas é inútil pensar assim, a vida não é uma loja, o amor não é um produto de liquidação com prazo de garantia de 03 meses e não há prazo estendido para quem escolheu amar. Aliás, sua única garantia (sinto em te dizer!) é doação. Isso mesmo, doação. 

Amor é doação, essa é a única garantia. 

Porque o amor é mais e é além, é uma escolha diária trabalhosa, não porque seja um sentimento. Mas porque para senti-lo todos os dias intensamente precisamos nos desligar de muitas coisas e precisamos fazer sacrifícios sem limites. E por que somos todos bobos no amor pensamos que amar é prejuízo, é concessão tola e fútil. Mas não é...Amar é apenas a mais sábia decisão, afinal quem morreu de amor? Romeu e Julieta? Não não, Romeu e Julieta morreram porque um não suportou viver sem poder amar o outro. 

Amar é difícil, mas viver sem amor...bom, isso sim é de fato impossível! 

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Uma carta para voinha


Estou com vontade de chorar meu ser inteiro. De falar por lágrimas, do amor que eu tenho e que nunca soube dar a tanta gente assim.

Eu tenho poucas pessoas indispensáveis, tenho pouco amor, mas o que eu tenho eu não admito a ideia de perder. É que dói demais saber que certas pessoas não duram para sempre.

O amor é eterno, então por que as pessoas morrem?

Ninguém entende que amor de vó é um copo de leite derramado duas vezes na mesma boca do fogão? Se demorar, o tempo só faz o leite se fixar mais!

Não há nada do mundo que eu possa comparar, mas posso falar do sentimento de gratidão que eu tenho pela senhora, minha avó, a mulher temente a Deus que me ensinou tudo o que eu sei hoje a respeito do Deus Pai.

Das histórias que me contou eu lembro bem de quando falou sobre o céu, eu tinha quatro anos...e disse que iríamos morar lá e que teríamos a companhia dos animais, do leão e dos grandes bichos selvagens, que no céu não nos fariam mal.

Também me disse um dia que viu um anjo enorme, do tamanho da porta da igreja, e ele tinha uma espada desembainhada...engraçado voinha, é que nesse dia eu não dormi.

Contou dos cangaceiros, dos quais nunca teve medo.
Dos livramentos de Deus na vida, e do enorme amor que Ele tinha por toda a humanidade.

Foi de tanto contar tudo isso que eu quis esse Deus pra mim também. Queria esse amor, queria um pai, como chama todas as vezes às 3h da madrugada.

Quando criança eu era muito esperta, acompanhava tudo bem atenta...se lembra? Na primeira oportunidade depois de saber que também falava com Deus de madrugada, eu me levantei, e desde então te acompanhei. Eram todas as noites incansavelmente, e eu ia junto...e aprendi a ouvir o silêncio da madrugada como amor... E que amor!

Respirava Deus, acordava com Deus e pedia pra Ele ficar com com a gente mesmo quando errássemos, e o mais bonito, Ele ficava. Voinha talvez a senhora não saiba, mas de tanto que amou a Deus, eu passei a amar também. O amor transborda...e transbordou porque era amor.

Queria que visse que eu aprendia, e tudo o que eu aprendia eu te contava, ensinava também. Até as tarefas da escola, eu te mostrava na esperança de um dia ensiná-la a ler.

“Que amor grande", eu pensava..."minha avó gosta mesmo de mim!". Porque mesmo eu doente ela nunca reclamou. Sabia me amar com o amor que eu precisava, e não pedia de vergonha, sempre fui vergonhosa quando o assunto era amor.

Painho e mainha se separaram e eu não entendia voinha! Por que todo mundo tinha família e eu não tinha ninguém?! A senhora foi o porto seguro quando tudo parecia sem sentido.

Ninguém entendia quando eu emudecia, bastava a senhora olhar pra mim e minhas lágrimas já desciam. Com tanto respeito e admiração eu nunca soube negar um pedido, nem escondido eu fazia carão. Tudo era assim, a gente nem brigava, antes de me aborrecer, calava...e já sabias que eu estava abusada. Porque mesmo com todos os erros eu sei que me amavas.

Com voinha sempre foi assim: não tinha tempo ruim! Se as coisas estavam boas, a gente orava, se estavam ruins a gente orava e ainda louvava. Se estavam insuportáveis, a gente orava, louvava, jejuava e fazia campanha de oração até Deus responder.

Nunca a vi de cara feia com algum problema ou brigar com meu avô. Por essas e outras eu a achava perfeita, porque me fazias sentir assim também, perfeita...e ninguém no mundo me fez sentir mais importante que a senhora, quando juntas estudávamos a Bíblia. Era um olhar de respeito e gratidão que eu me emocionava.

Sei que jamais vou receber outro presente como o que recebi...morar com alguém que já era um anjo de Deus pra mim. Foi por causa de seu exemplo de vida que aceitei amor de Deus por mim, voinha. Eu queria ser amada por um Pai, que sabia: eu era falha, mas precisava de amor. Porque todos precisam de amor.

Voinha, a senhora pode até morrer, mas sei que o que me ensinou jamais dormirá em mim. Eu te amo muito muito e lembro de todo o amor que me deu quando eu precisei e não pedi.

Quando eu tinha medo e a senhora só olhava pra mim.
Lembro bem de todas as vezes que eu fui pro hospital e a senhora tinha medo de me perder, eu via isso, mas a senhora orava e a gente ia calma, porque Deus era nossa companhia.

Eu sei voinha, que não pude te poupar de muita gente que não te respeitava e compreendia. Porque eu nem sabia como me proteger! Ainda bem que pelo menos eu sempre amei você. Minha avó, minha mãe e minha única amiga.

De todas as idosas do mundo, a senhora sempre foi a mais arengueira!
De todas as avós, a mais sábia.
De todas as mães, a mais batalhadora.
De todas as pessoas, a mais ingênua...eu tinha até raiva do tamanho da sua bondade e ingenuidade!

Te admirei a vida inteira, sempre quis ser uma cristã como a senhora e desejei que Deus me desse a chance de te dizer toda hora que eu te amo.

Pra muita gente eu sempre fui seu chiclete, pra mim eu só te amei demais pra aguentar ficar longe. Quando Deus nos separou, Ele queria me mostrar que o maior amor tem que ser dEle...hoje eu sei disso, mas ainda não admito um dia te perder.

Sei que preciso aprender muito, e queria que a senhora vivesse até morrermos juntas, porque meu desejo era que a senhora visse que seus esforços não foram em vão e eu aprendi tudo o que me ensinou.

Queria também que me visse casar um dia, e ter uma família, e a senhora ser a avó maravilhosa que é pra mais gente também. Mas o futuro não é meu nem teu, voinha, o futuro é de Deus.

Aprove o Senhor minha oração, de com essa carta te fazer sentir-se ainda mais amada, porque eu te amo mesmo, e quero que sua memória nunca falhe nisso!  

Nos encontraremos lá no céu, com coroa de pedrinhas lapidadas e colocadas pela mão de Jesus. Tomara que lá no céu tenha sabonete senador que é pra eu dar bem muito beijo quando a senhora sair do banho toda perfumada!

Te amo! 

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Banho de alma


Tomei um banho.
Desses de cabeça, que a gente toma pra lavar não só o corpo, mas também a alma. E deixar ir embora todas as dores, todas as palavras sufocadas pelo medo.
O medo fundamental.
Ainda me resta uma parte, que insiste em mim permanecer amarrado...mas não saberei viver sem, não agora. Agora que preciso tanto me segurar.
Preciso fechar muitas frestas, sobrou-me as arestas.
Mas estou tão cansada que por hora desisto, desisto pra me dar paz.
Não dá pra continuar lutando assim, contra mim. Tenho tantas outras coisas que esta eu vou deixar, deixar passar, pra quando o tempo der, e eu estiver aqui, resolvê-las.
E se isso nunca vier? Não tem problema...Eu tomo outro banho!


segunda-feira, 12 de maio de 2014

Sobre medos e agonias


Nunca tive medo do escuro, jamais fiquei sozinha no mar.

Nunca atravessei assustada uma avenida, é que não me apavoram muitos carros, caminhões e motos. Morei próximo a uma BR, e apesar das insistentes proibições da minha avó de atravessar sozinha aquilo que nos separava, nunca tive medo.

Nunca gostei de visitas, tenho medo de invasões. Sou reservada, sempre sofro calada e não gosto de me compartilhar. Se tenho um amigo, morrerei tendo-o, porque para alcançar meu coração foi preciso mais do que uma visita, foi preciso ficar.

Tenho agonia, da vida! Tanto tanto que às vezes finjo não viver...só pra tentar provar algum controle tolo. É que me dói às vezes saber não o ter.

Sobre um medo fundamental? O da separação. 
Palavra dura de se ouvir, muito mais de se ver. Vi tantas que sempre tive medo, porque de repente sangravam os olhos com águas salgadas, era difícil conter. Tão profunda era a dor que só depois de chorar todo salgado, era que a vida ficava doce, e se acalmava.

A vida nunca foi fácil, eu que desde cedo conheci tantas dores. 
Mas a vida nunca foi difícil, existe sempre a agonia, ela é boa, faz chorar...e chorar? 
Chorar dá calma, desalenta a alma numa fundura sem fim. 
Chorar alenta, esquenta e faz nos sentir vivos. 
Chorar é água que sangra, e rio grande sempre deságua no mar, que salga, tempera, dá vida. 
Chorar pode não ser a solução, mas ainda é remédio, pra alma doída, ferida, de coração que pulsa, salta e treme de medo.

Por que, que é o medo senão a carne? Carne que sofre pelo que não sabe, pelo que não pode ver, pelo que desconhece?! É que de carne somos, dá muita agonia de ver, mas veja, veja mesmo se não é igual: todo mundo que morreu, um dia fedeu.

“Morreu, fedeu”, lei da vida. Sobre medo? a agonia entende!        

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

O que tenho eu? Uma carta para mim


Estou estarrecida comigo mesma. Não sei o que tenho, não sei se já tive alguma coisa, mas é que ultimamente não tenho dado nome as minhas vivências. Antes eu sabia o que vivia, hoje eu nem sei se vivo.

Chegou um tempo na minha vida que eu não sei dar nome nem cor, o sabor foi embora desde as turbulências do semestre passado. Hoje pra sair de casa eu ando me obrigando e justifico todas as razões pra continuar a jornada.

Está difícil, nunca pensei que alguma coisa que eu amo tanto chegaria a estar difícil. Está difícil estudar, sobretudo porque sempre tem algo mais interessante pra ler do que aquilo que sei que preciso, é minha obrigação saber.

Já entendi...estudar nunca teve uma conotação ruim assim. Nunca foi uma obrigação, antes era prazer! Eu que fazia tudo por brincadeira agora sou obrigada a ser séria. Eu que brincava de ser estudiosa, de ter uma conexão maluca com os livros e as palavras que saíam voando deles. Agora? Me obrigam a estudar porque saber menos parece ser crime! Tenho que dominar todas as coisas para não parecer humana.

Droga, eu achei que fosse humana. E agora? O que ser?

Estou cansada, esse ambiente de competitividade me cansou os nervos. Estou doente. Será dos nervos ou da mente? Mas que mente, que saude? Quem disse que a saude mental habitou instituições fechadas não conheceu Goffman!  Então, o que fazer, pra onde ir se ainda me restam dezoito fatídicos meses?

Quem bem sabia que eu era tão forte assim?
Que tenho eu? Uma fortaleza dentro de mim.

Já resisti tanto, que hoje compreendo: não sou politizada, eu tenho é uma política dentro de mim...e nem é politicamente correta assim.


Subversão, adeus, vou tentar cuidar de mim!

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Silêncio



Minhas palavras não são silêncios. Mas meus silêncios serão sempre minhas palavras! Ditas de um jeito que só quem me conhece sabe.
Não sinto vontade de ficar a sós com alguém em silêncio, é preciso muita intimidade pra isso. Não tenho muita intimidade com alguém assim, tenho medo.
As pessoas não sabem compartilhar segredos de alma, elas compartilham problemas que podem ou não ser usados contra você; E depois? Depois eu ainda sou a pessoa que se arrepende ao contar um silêncio. Eu ainda sou aquela pessoa que pensa mil vezes se vale a pena ficar em silêncio. Palavras são só palavras, superfície será sempre superfície.
Silêncios? Silêncios serão sempre silêncios.
Porque mais que um olhar, meus silêncios são cheios de mim... Não poderiam ser de outro jeito. Mas é preciso que se diga, são cheios de vida e da minha vida também! Da vida que é minha e da vida que é dos outros. Dos outros que fazem parte dela e que preciso confiar para dizer.
Dizer o que me incomoda nessas relações que deveriam ser melhores, se...claro, se as pessoas parassem de buscar superar-se em cima das fraquezas dos outros. 
É que me irrita ver tanto oportunismo disfarçado de amor, tanta hipocrisia disfarçada de bondade e tanta falsidade espalhada e comestível em cada pilha de pessoas. Gente que se nomeia de pequenos cristos, e não sei se poderiam passar de mendigos da verdade, verdade essa que nem eles sabem qual é!
É difícil manter-se em silêncio, sobretudo porque meu silêncio fala da minha paz. Dessa que me foi dada ao crer que existe alguém que vê além das aparências. Sou também paz, e meu silêncio só é dito quando estou na mais perfeita paz e confesso, eu perco um pouco a vontade de estar com alguém quando esta paz se encontra ameaçada.
Mas jamais pensei que este silêncio fosse incomodar tanto quanto minhas ininterruptas e destoantes palavras. Eu que achei que as palavras ditas assim sem qualquer propósito e alienadas de si mesmas não fossem piores do que meu silêncio...bem, descobri! Assustam-se.
As pessoas se assustam se falo, se assustam se calo.
Se estremecem se olho, se aborrecem se choro. 
Se falo o que penso sou taxada, se calo o que penso, desconfiada. 
Se respiro, se canto, se levanto, se deito. 
Se existo, se falo ou se aborreço...Agora já não me interessa, cheguei num tempo em que ser feliz independe. Problema dos outros que estão preocupados demais comigo, problema dos outros que se interessam em me ver mal, problema.
Pro-ble-ma.
Se quiser, soletro pra você:
P-R-O-B-L-E-M-A       S-E-U
No momento estou tentando manter os pés no chão, eu que já aprendi a voar e não preciso a ninguém provar. No meu mundo a ordem é outra e se acham que sou estranha, ótimo...Nunca fiz questão de ser normal! 

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Advogados ou filhos de Deus?



"Existem sempre aqueles que se acham na obrigação de defender Deus, como se a Realidade Última ou a estrutura de sustentação da existência fossem algo fraco e desamparado. Essa gente passa por uma viúva deformada pela lepra, mendigando umas poucas paisas; passa por crianças esmolambadas, morando na rua, e pensa: "A vida é assim mesmo." Se percebem, porém, uma coisinha de nada contra Deus, tudo muda de figura. Ficam com o rosto vermelho, o peito inflado, esbravejam palavras furiosas. O seu grau de indignação é espantoso. A sua transformação, assustadora. 

O que essas pessoas não entendem é que é só internamente que Deus precisa ser defendido, não externamente. Deviam dirigir a sua fúria contra si mesmas. Pois o mal exterior nada mais é que o mal interior que conseguiu escapar. O principal campo de batalha não está no campo aberto da arena pública, mas na pequena clareira de cada coração. Nesse meio-tempo, aquele monte de viúvas e crianças sem-teto são um problema sério e é em sua defesa, e não na de Deus que essa gente moralista devia correr. " (MARTEL, Y. As Aventuras de Pi. Tradução: Maria Helena Rouanet. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2012, p. 92)

Se eu sou a favor de todas as coisas que Deus através da sua Palavra ensina, eu devo compreender também, e principalmente, que cada um tem o livre-arbítrio pra escolher se deseja obedecer o que ela ensina ou não, e que isso não me dá o direito de condenar ninguém, pois sou apenas filha de Deus e não Deus. Também acredito que não há justificativa para aquilo que a bíblia condena. Ninguém pode saber mais sobre os seres humanos e suas práticas do que Aquele que os criou, ou seja, se Deus diz, é porque Ele sabe. Contudo, vale a penas relembrar que a Bíblia assim como Deus, é uma questão de pura fé, então poupem-se de agressões e repensem, será que se Jesus estivesse discipulando as pessoas ele faria isso sob o uso de argumentos violentos e cruéis?

"Sede meus imitadores como eu sou de Cristo", foi o que a apóstolo Paulo disse aos servos de Deus na primeira carta aos Coríntios, no capítulo 11, versículo 1. Se a palavra de Deus é viva e eficaz, porque ela não tem servido a muitos cristãos? Porque eles estão vivendo como as pessoas que vivem no mundo, de acordo com suas próprias vontades e não de acordo com a perfeita vontade de Deus. Logo, estão na igreja pra esquentar os bancos!

Entendam de uma vez por todas: Se você faz o bem, não está ajudando a Deus, ele não precisa de nada que é seu. São os outros que sofrem por causa dos pecados que você comete; e também são eles que são ajudados quando você pratica o bem." (Jó 35:7-8)

Vamos começar a colocar isso em prática porque já está mais do que em tempo de mostrar o amor ao invés de só falarmos nele!!! 

quinta-feira, 21 de março de 2013



O tempo passou tão depressa que não tive tempo de apreciar. A vida tem se assustado diante dos meus olhos e fico apenas a chocar-me com o que rebeldemente se apresenta.

Ora são crianças que agora teimam em ser adultas, ora são velhos que querem voltar a ser crianças. Eu que não entendo fico calada, porque já sei que da vida nada sei mesmo! Fico calada também porque diante do inconcebível eu me calo, e sempre. Nem tenho pressa em falar do que nunca poderei expressar...E,  só escrevo, entendam;  Só escrevo por teimosia, e por pena também. Autopiedade. É que este blogger que mantenho estava meio abandonado, empoeirado como eu, precisando de uma revisão, de um caça-palavras perdido, que seja. Preciso dele, essa é que é a verdade!

Estávamos tristes, eu e ele, sem respostas, sem palavras e olhares e gestos e emoções. Estávamos como quem só vê, vê a vida e passa. Porque não tenho ritmo pra viver dessa maneira, esse mundo está frenético demais meu caro, não gosto de pressa eu agoniada que sou.

Só quero a paz de um segundo comigo, e nisso exijo, quero silêncio e também quero a pausa da música, do soneto, do verso estatelado que ficou com a rima dura.

Estou é com saudades de mim, de minha insanidade diária de me obrigar a dizer pra mim como estou, como me sinto sozinha e que minha solidão agora nem está feliz. É como se faltasse alguma coisa, alguma coisa que não sei...estou descobrindo, tentando respirar diante dos holofotes que agora, eu astigmática que sou, tenho sido obrigada a olhar. 

Nunca eu que estive sempre em baixo, na plateia, fui treinada a estar em cima, no palco. O palco é pequeno demais para mim que gosto da plateia com suas várias opções de assento. E eu também não gosto de ficar em pé, sou grande, já disse...chamo a atenção! Gosto tanto da simplicidade que um elogio se torna aberração. O que sou digna eu já sei, não preciso que me digam, que me parabenizem...Deus também já sabe, e eu já sei porque Ele que sabe também já me disse antes. Antes de todos eu já ouvi dEle.

Queria que parassem, eu já acreditei, precisei dizer mil vezes seguidas pra acreditar. Mas já! Estou no palco. Finalmente? Eu sei lá, talvez eu desejasse esse negócio pra ver como é que é, mas nem acho que morreria de amores por esse lugarzinho. É que é inóspito ser alvo de olhares até grandes, e com desesperadas expressões de felicidade passageira. Eu quero outra coisa, e essa outra coisa ninguém a não ser o Deus, pode me dar.

Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples, de respirar sem medo, de crer que o melhor sempre chega, demora mais chega; e que não preciso estar no palco pra isso, eu posso ser feliz sem palcos, eu sempre fui a menina dos bastidores e nunca morri de afetos por pop stars.

Porque eu aprendi, a felicidade está em mim. Os outros? As outras? O resto passa, porque tudo que é resto se descarta. O indispensável sou eu.

Eu estou feliz agora, a tristeza não demora...ela também passa, como o tempo, tudo passa. E fico é serena quando posso me dizer, e não tem nenhum lugar no mundo melhor do que este, este é meu cantinho, meu aconchego, o meu segredo. De me escrever traçados-pedaços-retalhos, eu gosto é muito. Mais ainda quando digo o que der, o que puder, o que vier. 

Gosto mesmo de viver e ver a vida com calma, que é preciso calma pra ser feliz.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Co-mo-ver



Ainda choro de saudade, me coloco no lugar dos outros e me revolto com injustiça. Ainda me emociono com um livro, brinco com crianças e converso com cachorros. Sabe que eu falo sozinha? Adoro tomar banho de chuva e dou risada quando não pode?! Sim, eu gosto das coisas simples e não troco tudo isso por riqueza ou bens, títulos ou posses. Eu sou jovem, mas sei que tempo não diz sobre maturidade...afinal há tantos adultos infantis e tantas crianças adultas! E tenho dito... eu quero é viver a simplicidade da vida, porque nela está a verdadeira beleza.

Sinto por aqueles que ainda procuram viver em função de seus egos, de suas vaidades. Sinto por aqueles que disputam desesperados pelo poder para provar a si e aos outros o que são capazes de fazer...esses eu vejo que não compreenderam a maior verdade da vida: Tudo o que levamos conosco está no coração! Por isso no dia da minha partida quero estar com meu coração em paz, levando comigo o amor e a gratidão recebida.

Queria pedir que não seja somente uma data que motive a vocês meus amigos a refletirem sobre solidariedade, afeto, sinceridade...que seja um exercício diário, um exercício que não dependa do calendário de festividades. Que seja a consciência de que somos um ser-para-morte e que hoje estamos aqui, mas amanhã...amanhã? Bem amanhã é outro dia que por sinal não possuímos, nem poderemos.

Por isso eu desejo para todos os que ficaram e para os que passaram na minha vida, momentos de reflexão sobre seus atos, momentos de perdão e acima de tudo momentos de sinceridade. Seja sincero consigo mesmo, avalie suas atitudes e sim, se em 2012 você não fez o seu melhor, repense...vale a pena. Que o ano que está bem perto de iniciar possa vir coroado pelo maior ensinamento de Cristo: a humildade. Porque sem ela é impossível agradar a Deus, impossível alcançar o próximo, impossível ser feliz, porque a arrogância distancia as pessoas, é o amor e somente o amor quem apaga multidões de pecados. Um abraço cheio de afeto aos meus amigos que estiveram comigo neste ano de significados, sentidos, anseios, alegrias e crescimentos. Obrigada a todos que de uma forma ou de outra me ensinaram, mesmo àqueles que não foram educados, que me decepcionaram, me magoaram. 

Que em 2013 eu não crie tantas expectativas, que eu seja mais leal, mais gentil, menos agressiva. Que em 2013 eu valorize mais minha intuição, rejeite climas tensos e saiba dar limites aos que precisarem mais do que o meu expressivo olhar pode ofertar. Que em 2013 sejamos menos egoístas e mais sensíveis, menos mesquinhos e mais honestos. Que estejamos mais perto de Deus e que os limites sejam transpostos com diálogos sinceros. Que possamos aprender a essência do evangelho: AMAR! 
Esta é a minha oração a Deus para o ano que se inicia, em nome de Jesus, amém! 

Feliz Ano Novo para todos que acreditam que a mudança precisa começar primeiro em si! Que Deus nos ensine a co-mo-ver! *____*



quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Essa menina angustiada...





À menina angustiada, um copo de vidro.
Um copo de vidro para a menina angustiada, 
que se angustia
e que sabe que é bom.
Que beberá nele o que vier,
o que lutar
e o que se esconder.
Deixar-se-á cair o copo?
Terás um drink?
Guardarás?
Ah, menina angustiada,
que num fogo, no relento
chega a brilhar!
Chega a ser devasta(dor)a.
E nesse pranto, apara com o copo
e bebe dele o que foi dela mesmo.
Seria estranho, seria triste?
Há uma menina angustiada
que se mobiliza e alça voo.
E nesse voo, com essa angústia...
percebe que é a ela mesmo que tem que dar por merecer...
por ser feliz...
por ser quem é...
(e por quem vai ser).
A você, menina angustiada!


Um abraço bem caloroso.
cuti cuti.



Para mim, para Jailton e para todos os meus amigos,
com todo o meu afeto e gratidão:

Coisa linda é ser surpreendido por um texto desses que me arrebatam os sentidos! Que me deixam como criança boba lendo e relendo espantada! Ah os amigos..., são esses encontros inesperados da vida, são vocês e são eles, que me emocionam e me fazem crer que apesar das crueldades do mundo ainda existem pessoas pelas quais vale a pena se doar. É por isso que eu espero estar presente na sua existência Jailton, desde agora até o dia que meu Dasein for para o seu lugar final: a morte.

Obrigada por tudo, não vou te dizer adeus porque você não vai mais sair da minha pobre life, tem lugar pra você de sobra, de graça e pra todo o sempre! Te amei desde o primeiro dia e agora mais do que nunca quero te conhecer mais!
Saiba, sua amizade é me indispensável!

Amo você seu fofo! *___*

Arrematando os pontos



Sinto que perdi, perdi para ganhar. Ganhar em autoconfiança, ganhar em perseverança.
Sinto que me falta...me falta chorar um pouco pela despedida, pelo final que já é hoje, já chegou. Mas foi a dor, me esculpiu dureza, estou resistindo, mas vai chegar a hora, eu sei que vai.
Cinco anos eu tenho de histórias escritas e despidas em um trabalho que fala de mim, mas que não me possibilitou ir mais além. Porque tentaram, tentaram me privar.
Eu sei que a liberdade que eu tenho assusta, nem eu às vezes sei lidar com a minha vastidão. Por isso fui rejeitada, criticada, ameaçada. Feriram minha integridade moral, tentaram destruir meu emocional.
Mas eu cheguei ao fim!
Eu fui forte porque quem está comigo é o justo juiz, Ele provou a mim que ninguém poderá me deter porque é Ele quem me quer assim: honesta.
Não vendi meu caráter, não me troquei por vaidade.
Porque minhas vestes são outras, minha glória não está aqui! Os títulos são apenas papéis que as traças corroem: A vida transcende!
TRANSCENDE.
Eu não quero ser profissional medíocre que precisa se aproveitar das fraquezas alheias para mostrar a força que tem. Não quero disso fazer uso! Eu lanço mão do olhar, do gesto e do afeto. Por força não, por violência não, disso eu abro mão.
Estou feliz, mas é por mim que fiquei livre, livre das amarras institucionais que tentaram me aprisionar e que tantas vezes achei terem conseguido me acabar.
Mas hoje sou eu quem bato no ombro deles e digo: ninguém poderá!
Eu sou mais forte, tenho o que vocês com toda sua vaidade e presunção não tem, eu tenho DEUS e contra Ele não há quem possa!
Obrigada meu Senhor por me provar tua boa, santa e agradável vontade, tu és TREMENDO e não há homem que diante de teus feitos não se dobrem! 
Toda honra, glória e majestade seja dada a ti e somente a ti! 


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Verdade



"Levantei-me. O tiro de misericórdia. Porque estou cansada de me defender. Sou inocente. Até ingênua porque me entrego sem garantias".
(Clarice Lispector)


Estive silenciosamente pensando. Em nada... E é difícil deixar-se entregue ao nada dos pensamentos que impressionantemente falam.

Perceber-se enquanto humana, cheia de imperfeições é um exercício necessário que só me tem feito bem. Eu que tanto fugi de mim e agora estou aqui tão tranquila comigo que me espanto! E me abismo porque noutros tempos eu sei que estaria absolutamente triste comigo e pior, culpada. O bom é que a tristeza dá e passa, a culpa não. É um bicho cruel que te corrói o coração e o amor. O amor por si que acaba se desfazendo lentamente. Mas hoje eu vejo sem medo, sem medo de perceber a pessoa bonita e honesta que sou.

Porque eu sei que fui... Eu fui fiel ao que acredito ser verdadeiro, e verdadeiro é ser honesto: honesto consigo e com os outros.

Fui e tenho sido!
Não minto, não sou dada a essa falha de caráter. Tenho muitos defeitos e reconheço-os sem o horror de outrora. Se por acaso vier a me envergonhar é por acreditar presunçosamente que acertei e depois perceber que apenas me iludi. Mas isso é por hoje me admitir humana, me aceitar como tal.

Mas há aqueles que não conseguem se permitir o erro.  
Eu?  Eu não digo nada, às vezes o silêncio é a melhor forma de resposta, de amor. Porque deve haver nessa perfeição uma necessidade. E não me acho no direito de questionar as necessidades alheias. Cada qual com a sua, eu que tenho a necessidade urgente de ser o que sou. Não me cabem carapuças, não me doem indiretas, porque eu vivo na extrema necessidade de ser sincera. Prefiro ainda que pague um ônus caro por. 

É o que me faz plena de mim.

Prejudico-me se necessário for, mas mantenho o mínimo da minha dignidade e não, eu não minto! E tenho mais do que motivos para manter fixa essa postura. Mesmo que o mundo inteiro diga o contrário, eu simplesmente não minto, não suporto. Já tenho defeitos para doar aos milhares, não preciso de mais esse para acrescentar ao meu currículo.

Sinto muito para quem se sente incomodado comigo, não posso ser aquilo que não aguento. Cada um sabe a dor de Ser, e hoje mais do que nunca me respeito, me aceito e tenho tentado fazer de mim o melhor que acredito. 

Espero com coração trêmulo de fé que um dia as pessoas a quem confiei segredos de alma e as que não, que não só entendam, mas compreendam que ser sincero não é ser “idiota”, “burro” ou qualquer um desses adjetivos pejorativos facilmente atribuídos àqueles que ainda tem a coragem de Ser.

Eu falo por mim, acredito por mim... mas ardentemente espero que a vida seja feliz nos seus ensinamentos e os ajude nesta valiosa lição. Porque vale a pena ser sincero apesar de.

Obrigada a todos os que me fizeram acreditar que não é vão, o movimento de autenticidade não é vão e que não é sincero aquele que diz que não dá pra ser autêntico o tempo todo. Dá, é questão de querer, de ser sábio, de esperar o momento certo para Ser!

Porque não preciso dar minha opinião o tempo todo, não preciso dizer quando não concordo, o silêncio pode comunicar meus intentos. Não preciso fingir amizade para estar ao lado de quem não suporto só para saber o que a pessoa trama. Não preciso me preocupar com o que pode me fazer o homem, porque eu sei em quem confio e de que sua justiça não falha independente dos meus erros e defeitos. 

Porque Ele não se deixa corromper, Ele simplesmente é fiel a si mesmo e a sua palavra. Eu só tenho que dizer: obrigada Senhor, mais uma vez eu te agradeço pelos teus valiosos ensinamentos!

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Para lembrar de mim



Levantei, não por que eu quisesse, claro! É que quando dá a hora do famigerado do meu cão comer, ele simplesmente liga a sirene de Pavlov e se desembesta a latir. É um saco, eu sei. Mas eu se fosse ele não faria diferente. Odeio passar fome, odeio. E só me dou conta do quanto odeio, justa hora em que estou completamente absorta pela fome, com o estômago colado nas costelas, como dizem os adoradores de hipérboles.

Ontem estava lendo Kafka, assim como quem não quer nada eu fui ao supermercado e por feliz coincidência deparei-me com uma estante de uma editora de bolso. Com a fila para o caixa parada me permiti o luxo de ficar distraída observando os títulos em questão. Foi quando me encontrei com ‘Um artista da fome’, e logo, não pensando muito, inclui na minha lista de indispensáveis do dia. Pronto, a cesta de compras ficou completa!

Cheguei em casa e fui guardar as compras, lembrei de Kafka e corri pra me presentear com uma leitura assim, dada numa terça-feira de agosto. Pensei em como iria ler aquilo na minha última semana de férias...? Eu que deveria ler Augusto Cury, num desses temas autoajuda: Como sobreviver ao último final de semestre ou 12 dicas para sobreviver ao término da faculdade! Mas não, fui ler Kafka mesmo!

Um mergulho, um suspiro, um medo.

Meu Deus o que foi aquilo? No primeiro conto intitulado de “Primeira dor” já deu pra sentir a densidade e respirei fundo na empreitada. Fui lendo e à medida que virava as páginas minha respiração foi ficando ofegante até que na história de “Uma pequena mulher” eu já estava perplexa. Quando chegou no “Artista da fome” eu nem respondia mais aos estímulos do ambiente, estava absolutamente em transe, estática, paralisada num aprisionamento de uma série ininterrupta de pensamentos.

Tive que ir parando, respirando novamente bem devagar, e finalmente fui observar o ambiente pra criar nova coragem, nova roupagem para só assim ir adiante. Kafka consegue me arrancar suspiros chocantes. Eu estava espantada e me perguntando se era possível tanto horror assim... De graça!

Quando já caminhava ao final do conto, permaneceu a indagação me incomodando, será mesmo que é dessa forma que se sentem os artistas? Como assim um espetáculo que a ninguém mais interessa? Como? Que fome é essa? De onde vem...e eu já estava filosofando sem querer.

Cheguei ao final e o que mais me deixou perplexa foi com que destreza foi finalizado o conto, pois que nas últimas palavras do ‘artista da fome’ havia tudo! Ele disse: “Porque eu nunca encontrei a comida que me agradasse. Se eu a tivesse encontrado, acredite, eu não teria feito nenhum alarde e teria comido até me empanturrar, como você e todo mundo” (KAFKA, 2011, p.46).

Não precisei de mais respostas. O que eu precisei, encontrei. Num olhar curioso, de uma criatura que me perguntou se aquela era a biografia de Kafka eu me encontrei de novo e respondi de ímpeto tudo o que sabia, tudo o que naquela hora podia. Mas o que sabia nem sei se era mais verdade. O que respondi foi que não, aquela não era a biografia dele, mas a obra que segundo alguns críticos era a mais autobiográfica. 

Em frações de segundo disse a mim mesma...autobiográfica dele?
Dele nada, minha! Pena que Kafka pensou antes, viveu antes, sofreu antes. Foi tanta identificação em tão pouco tempo que tive a ligeira sensação que nos conhecíamos de algum lugar. Mas aí, aí me lembrei que tivera sido de uma Metamorfose distante, de umas horas perdidas na frente do computador, numa tarde de julho qualquer e sem nenhum fisioterapeuta xeretando nossa conversa. 

Crônica inspirada em: UM ARTISTA DA FOME seguido de NA COLÔNIA PENAL & OUTRAS HISTÓRIAS da L&PM POCKET.