Aqui já usei quase todo o meu repertório masoquista e desfiz boa parte das minhas ideias comunistas. Esse espaço é meu, mas desejei compartilhá-lo com o mundo, se você faz parte dele...Então seja muito bem vindo(a)!

segunda-feira, 8 de março de 2010

Luz

O difícil não é querer fazer a vontade de Deus, mas permanecer, perseverar neste querer. O difícil é lutar contra o mundo inteiro, é ser luz sempre onde só há escuridão e mesmo assim não deixar que as trevas dos que estão próximos a ti te atinjam e sim que a tua luz ilumine a vida destes.

O difícil não é amar os teus amigos, os teus familiares. É amar aquele que te calunia, que te odeia, te esbofeteia com palavras injustas. É difícil até se amar num mundo que te diz a todo instante que você só vale o que tem quando você apenas sobrevive da graça de Deus e do suor do seu rosto.

E o pior ou o mais difícil não é tudo isso, mas chegar na Igreja de Cristo e encontrar todos esses Des-valores impregnados e arraigados dentro dos corações daqueles que foram chamados e até mesmo dentro dos corações dos escolhidos.

Neste momento só me resta clamar pela misericórdia do Senhor na vida dos que ainda estão tentando se manter acordados e com suas luzes acesas. E chorar, sim chorar. Ora de tristeza, ora de alegria por saber que apenas está se cumprindo a palavra de Deus. Desejo apenas que nem eu, tampouco minha família entre para a porta larga para que se cumpra o número de perdidos nesta terra que não é nossa!


Velha

É na dor que nos vemos e nos sentimos humanos, nos demais momentos não somos. Hoje sou uma lagarta e jamais tornarei a ser borboleta.
O melhor da vida já passou.
A infância já passou, a adolescência já passou e o amor não existe como antes, pelo menos para mim.

Deveras sinto uma humanidade absurdamente humana, que me fere e me faz gemer a cada hora que se passa pela impotência de assim me perceber. Frágil demais e condenada a ser livre sempre. Condenada a própria insignificância. À fugacidade de uma felicidade que não sei se provarei algum dia.

Fadada a ser quem sou na velhice que me espera. E vou ao encontro dela e me vejo nos velhos desamparados e abandonados pelo mal de terem vivido muito. Porque felizes são os que cedo morrem, pois desconhecem o humano que porventura possa haver em si.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Ante-paro

Gosto de me sentir desamparada às vezes. De dormir no sofá mesmo sabendo que era coisa tal proibida pelo excesso de cuidado materno.

De acordar por conta própria toda dolorida pelo sabor do desamparo teimoso que insiste em me fazer provar.

Provar do amargo e do doce de viver só.

Sozinha.

Todos os dias conquisto algo diferente, hoje foi o desamparo. Ontem a solidão. Amanhã a alegria de chegar e encontrar a bagunça que deixei exatamente no mesmo lugar.

Livros papéis e bolsas espalhadas no chão do meu mundo. Fotografias e histórias que permanentemente me prendem a um passado.

Não tenho passado aqui. Vivo apenas o presente que escolhi. Porque escolhi seguir em frente minhas conquistas serão sempre absurdamente diferentes. Ninguém entende, senão eu mesma. Nem poderiam.

Mas prefiro que seja assim: segredo meu, entre eu e eu mesma. Não sei contar. Sobretudo não poderia. Na verdade nunca senti a menor vontade!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Answers

Era numa cidade litorânea que estava seu coração. Sentada à beira mar deixava o fluxo de pensamentos a tomarem. Sofria numa intensidade surreal. Pensava que se a insatisfação fosse ruim o mundo não teria sido mundo. Foram os insatisfeitos que mudaram, sim mudaram o mundo.

E eu começo em mim.

Meu mundo é, sem dúvida, reconstruído com todo esforço que é preciso para se manter de pé o alicerce que me sustenta.

Reclamo, reclamo muito.

Não me importa o que podem falar a meu respeito. Sei quem sou e isto me basta! Sinto-me suficientemente bem apesar de tantas limitações. Uma ironia. Minha alma é livre, eu sou quem não sou!

Habilidades. Hipocrisia social. Cinismo. A necessidade é minha de repetir esta última palavra. Cinismo. Eis então um moléstia humana comum.

Já pensei se porventura eu poderia ser outra coisa senão o que sou. Não conseguiria, bem como até a presente data não consegui. Se me é aceitável assim ser? Não sei não sei. Por momentos, pois sou feita de pequenos momentos de mim mesma. E me é estranho explicar.

O que me incomoda se torna a mola da insatisfação que me move sempre sempre. Não posso ser mais do que sou hoje. E sinceramente nem sei se gostaria de deixar de Ser-me. Porque sinto um pouco a vida quando olho-me no mundo. Eu, ou mesmo outro alguém como eu.

Talvez quem sabe um dia eu possa me conformar, me permitir ser moldada e me tornar igual. Com a qualidade de mundo e de pessoas existentes não será coisa muito difícil. Contudo espero que não me peçam isto hoje. Hoje não!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Absurdamente feliz

Estava absurdamente feliz, de uma felicidade que não existe. De onde viera essa tal felicidade? Sim sim era coisa que ela não sabia. Mas desconfiava que era felicidade de criança solta correndo em desventura sem saber do mundo.

Ela descobriu um meio de esquecer aquela dormência que se sente quando se é gente grande. E foi nos sonhos que realizou sua primeira fuga. Fugiu para longe e para nunca mais voltar.

Mas voltou.

E quando deparou-se novamente com a realidade cruel que tinha a enfrentar agora todos os dias...quis chorar, mas esqueceu como se fazia isso.

Lembrou da ingenuidade estúpida de criança e desejou muito voltar a todos aqueles anos coloridos.

Agora já não podia pedir para o relógio parar, o ponteiro correria quer quisesse ela ou não. O único jeito era continuar. Como? é coisa tal que ela não sabia ainda. Mas tentaria repetir essa fuga. Pensou tanto que chega doeu em mim, e tanto mesmo que pariu a criança dentro dela que eu pensei por décadas estar morta. Renasceu a menina naqueles pensamentos desvairados!

Penso que poderia delirar, acho que seria mais interessante um devaneio ou algo parecido. É bom perceber-se diferente, tem um sabor especial. A loucura que não se pega, mas se sente... O desconexo era que era interessante para ela, o problema seria apenas fazê-la acreditar em mim e nessas palavras que não convencem facilmente gente vivo-morta.