Aqui já usei quase todo o meu repertório masoquista e desfiz boa parte das minhas ideias comunistas. Esse espaço é meu, mas desejei compartilhá-lo com o mundo, se você faz parte dele...Então seja muito bem vindo(a)!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Desvirtude

Ser bom...! "Sou um bom homem". Quem de fato pode se intitular assim? Quantos homens deveras viris existem para assim serem classificados?

Ser homem e ainda carregar a falsa virtude da bondade é demasiadamente inumano para mim. Logo eu que prefiro a impiedade do ímpio ante ao bom do bondoso homem!

"Homem bom". Parece uma piada escutar esse título! Isso me faz lembrar um daqueles longos discursos do louco de Zaratustra. A piada de um é insulto de outros.

Cansei de sensos, de bom senso, de mau senso, de senso comum. Estou deveras indisposta para ouvir títulos medianos, medíocres, de merda.

Quero o fogo, o fogo a consumir os que se vestem por bons homens, os que intitulam imbecilmente assim. Quero a morte das virtudes, das hipócritas virtudes e ver quem vai resistir! Quero ver, se quero...! Ver máscaras de crentes e descrentes a cair.

O querer se transmuta em glória e a minha sei que não posso encontrar se não for assim!

Deixo aqui um pedaço da lembrança: "ó meus irmãos, o homem que sondou até o fundo do coração dos bons e dos justos foi aquele que disse: "são fariseus". Mas não foi compreendido".
(Assim falou Zaratustra - Nietzsche)

Exatamente

Sempre gostei de brincar com as palavras, uma coisa engraçada é que para tudo na minha vida há sempre um sempre e sempre é uma palavra tão forte e tão real pra mim. Além do sempre ocorreu-me agora, num lapso, num devaneio desses que me dá assim sem hora, que também há um oposto trágico que me acompanha. Neste caso, o oposto da adorada brincadeira com as palavras, é o horror que tenho pela matemática.

Horror daqueles monstruosos, dos quais temos mesmo que nos esconder pra sobreviver ao ataque do pior dos inimigos: o medo de ser diminuído por ver sua condição de imperfeito. Oh céus, descobrir que sou um “deus que caga” é terrível! Mas vejamos de onde me surgiu esse terror.

Recordando o início de minha vida acadêmica...tenho péssimas lembranças da atuação de estudante nesta disciplina, isso porque nunca achei a menor graça naqueles quadrados todos, nunca achei o mundo quadrado, losangular ou vi alguma coisa de espacial na minha frente. Na verdade tinha uma enorme dificuldade para imaginar coisas além do espaço palpável. Não tenho visão espacial, nunca tive de fato, talvez por isso tenha tanto desejo de tirar a carteira de habilitação. Quero provar pra mim mesma que isso é apenas um bloqueio, ou sei lá o que se pode nomear sobre isso.

Até consigo me sobressair em situações de extremo risco, em acidentes já consegui a façanha de me enfiar num baú estreito para fugir de uma boa surra. Mas coisas desse gênero eu considero como instinto, algo inato da minha condição de sobre-humana. Lembro-me certa vez já perto de concluir o ensino médio, no segundo ano se me recordo bem, que passei de uma hora para outra a gostar de trigonometria, isso porque o professor era absurdamente rápido e sua agilidade me deixava feliz, a tal ponto que fui enfeitiçada por ele e acabei por me “apaixonar” temporariamente pela então disciplina odiada.

O fato é que foi marcante para mim, nunca fiz a menor questão de estudar matemática até porque achava que somar, subtrair, multiplicar e dividir eram basicamente tudo que deveríamos aprender da matemática enquanto seres humanos, as demais contas eram esdrúxulas, desnecessárias e deveras cansativas para nós míseros estudantes indecisos da vida. Quando então percebi essa nova paixão, por triste coincidência percebi-me também ao lado daqueles seres que sempre intitulei de bizarros por amarem tal ciência. Um desses seres permanece no meu vínculo de amizades até os dias de hoje e se encaminhou pobre coitada, no mundo das disciplinas exatas.

Toda a exatidão que tive se resumiu aquela fase, aquela estranha fase em que eu copiava freneticamente todo o conteúdo da lousa, fato inédito até então. Uma daquelas alunas chatas que se sentam na frente e soltam piadas o tempo inteiro de assuntos pertinentes as palavras, que fazem trocadilhos do além-aula, aquelas piadinhas que só quem ri além da comediante, são os professores e os idiotas dos amigos que não querem estragar a amizade. Uma daquelas alunas que ninguém discute literatura sem ser no mínimo indiciado a ler uma enxurrada de livros; uma daquelas alunas que defendem Machado de Assis à Eça de Queiroz a ponto de sair nos tapas; uma daquelas insuportáveis alunas que admitem não saber viver sem escrever ao menos um texto sensacional, não sabem respirar direito sem ler algo que lhes tire o sono, a própria respiração ou mesmo sua alma.

Sim, eu fui essa aluna. Eu nunca gostei de matemática e declaro aqui para todos abertamente que a única fase em que tudo foi exato foi aquela em que fiquei perplexa porque descobri que além de uma semianalfabeta matemática eu não sabia como tinha passado por média em todos aqueles anos escolares, aí então percebi o quanto a matemática é reducionista...e foi aí que encontrei a filosofia, e claro...a física quântica para me enlouquecer afirmando que 2+2 não são 4!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Eis tudo

Ela havia ficado muda e pela primeira vez desfrutara plenamente da voz agora impelida por seu mutismo. Estava satisfeita pois encontrou casualmente seres que pensavam e que como ela também haviam perdido.

Perdido o norte e o sul. A bússola que os orientava pelo tenebroso caminho quebrara na guerra e foram vencidos pelo som inaudível das palavras torpes daqueles a quem é devido o atual e desprezível pós-guerra.

Ofereceram-nos a insensatez em troca dos nossos gestos sinceros. Agora cá estamos tentando sobreviver, em vão? Não sei, mas nossas vidas coincidiram no mundo e temos o dever de lutar por nós, de perdoar por nós para que o fim não nos afogue no meio. Morrer numa maré de grandes peixes mas de águas sujas não é brilhante, quero uma morte feliz, suave e que acima de tudo nos permita falar.

Mas convido-nos provocativamente a pensar no tempo. Até quando estaremos assim? Não há respostas exatas, não lidamos com lógicas, nossa matemática é transcendental.

Tudo o que posso afirmar por mim é que quero estar com vocês até o fim, sim vocês que me fizeram achar o que eu havia perdido de melhor em mim. A vocês chamo de amigos e devo sim, o meu sincero obrigada.

E quero muito de volta as nossas esperanças.

Somos iguais, somos tão diferentes, somos humanos, somos eu, vocês e nós. Nós somos, e esse plural me alivia porque sei que seremos sempre melhores lado a lado e que apesar de tanta criticidade, bem sei que vocês são assim comigo, consigo, conosco mesmo, estamos desinstalados, não alienados.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Para a alma

Ouço música, uma daquelas que te fazem suspirar e tremer.

Ouço-a com paixão.

É a minha vida tocada em vários acordes, são partes de um solo de piano mesclados com o belíssimo de um cello e por ora com toques de harpa.

Não a sei expressar tão bem quanto a ouço, talvez em morte ela consiga a si própria dizer.

Desejo todos os dias não somente ouvi-la, mas escutá-la com minhas entranhas a vibrar por tudo que já fui e pelo humano que desejo alcançar.

Tudo parece tão longe e ao mesmo tempo tão perto.

Jamais achei que sentiria a graça, a glória dessa vida, mas achei em vão. Posso senti-la e apesar de serem por momentos tão breves, sinto-a com uma volúpia ardente e inexprimível de tão doce e dolorida. Outrora li que doar-se demais dói, mas e não doar-se?

Deve ser insuportável assim como ouvir uma música e não senti-la.
Insustentável é depois de tudo escutar nada se tornar diferente.

Diferença diferença eu quero a diferença! Deixo a indiferença para os mortos, estou viva e minha música, os instrumentos que venero, sim esses eu preciso, preciso ouvi-los, quero vê-los sempre tocar: Tocar ora a minha própria alma, ora a dos outros.

Deixem-me ir, a música toca e o tempo não pára!

Fraternal

Tenho uma alma muito vívida e frenética e voraz e sedenta pelo desconhecido. Um espírito incansável que não quer parar nunca, mas que pára. Pára e eu sei quando e como.

E me assusto diante das fragilidades tão humanamente minhas!

Esses dias quase entrei em êxtase lendo-me em um livro e quase pra mim é sempre tão irritante. É uma coisa que me aborrece esse limite presente. Queria a loucura que precisa se manter sã neste silêncio ilógico agora.


Queria ser alcançada pelos meus gestos mas tudo o que vejo ao meu redor são sons, vejo sons não mais os ouço, e pior, nem os sinto. Vejo! Sim e tenho raiva de perceber isso.
Angústias que me surgem por não conseguir ouvir meu próprio grito.

Minha alma perdeu a voz, e a força de querer compreender também.

Deixei ir a razão da loucura que me sustentava, deixei ir. E agora? Agora tudo o que tenho é um amigo e o espaço vazio entre nós dois. Milhões de partículas que nos formam e sobretudo que nos unem em compreensão. Mas tenho medo! Medo surreal de perder a única coisa que me faz acreditar no sentido dessa vida aqui. E se...?
Nem sou pessimista, mas o "e se" bloqueia a minha criatividade e me recluso.

Nem quero tentar sair desse escafandro que escolhi. Inevitavelmente continuo achando tudo a soma de todas as partes uma grande merda. E não peço o perdão da palavra, este espaço é meu e falo para o mundo os pensamentos que me vierem à tona.

O mundo, um mundo, de gente cretina, perversa e inútil que me obriga a enxergar o que não quero: tudo só tende a piorar!
Ó Deus não nos deixe cair em tentação, nos livra das armas, da violência e dos cretinos, amém!

Ps. o que existe entre nós dois é um milagre e depois que somos agraciados com um, não nos conformamos com míseras esmolas de coleguismos. Se você sair da minha vida, te mato!
Recado dado: "Quem avisa amigo é".