Aqui já usei quase todo o meu repertório masoquista e desfiz boa parte das minhas ideias comunistas. Esse espaço é meu, mas desejei compartilhá-lo com o mundo, se você faz parte dele...Então seja muito bem vindo(a)!

terça-feira, 19 de abril de 2011

sonha-dor

não sei tentar expressar nitidamente o todo do meu olhar.
tem sido difícil suportar tanta ansiedade sem deixar o pesar da ânsia me afetar, por tudo que esperei desesperadamente encontrar.
foram muitos erros, muitos enganos para me achar no lugar que não planejei estar. não me arrependo, não agora, não amanhã (não quero). mas nem tudo depende de nós e sei, eu sei que posso, e o só o só pela possibilidade me assusta, me limita pelo tudo que deixei passar. não devia eu sei, mas não é possível usar a razão na crise, a razão é a última coisa que quero saber agora, quero me sentir sem me privar de tudo que precisar para existir nos modos próprios que pertencem a mim e só a mim. ah foram muitas aflições, muitas quedas e frustrações, foram lágrimas, de sangue, de suor e de dor, foi disso tudo que eu me nutri aqui, agora é a hora que consigo olhar para trás sem tanto desespero assim. nunca é forte, tempo muito mais e o nunca está no tempo como o tempo está nele. dói saber, saber dói porque mata, fere sua ignorância de felicidade imortal e seu orgulho precisa se dobrar diante da humildade que a vida insiste em ensinar. a proteção do seu castelo tem que desmoronar. a imensidão do seu mundo desabar e a dor de ser só e de precisar usar isso em seu favor para seguir em frente sem se desvincilhar do que ficou e do que vc sempre desejou...ah não é difícil, é impossível de se ver se vc de fato não crer. chega, não quero mais saber, só sou eu e você, você que sempre me acalma e me exaspera, você que me revela a gratidão que me faz ver o tamanho da minha ambição, que me deixa assim perto de mim, a você sonhos eu quero retribuir mais da metade de mim.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Férias

Rostos retidos, vozes mescladas e um tumulto de lembranças foram evocadas durantes esses dias de férias que inacreditavelmente se tornaram produtivas. Reflexões me tomaram e o tédio das horas ociosas não me atingiram. Ansiedade? só quando penso no amanhã, mas como sequer me preocupei de olhar o tempo passar entreguei-me aos pensamentos de quem precisa muito descansar. Descansar de tantas cobranças, descansar de minhas enormes discrepâncias. E por hora resolvi relaxar. Mas de repente eu vi toda a minha vida passar, foi então que me vi enorme. E me abismei! E absorta profundamente com o tudo que se mostrou diante de mim me lembrei...Dos sonhos, das fantasias, das tristezas e das alegrias. Da força que absurdamente precisei, e da coragem que vez por outra abandonei. Ah, nem sei como foi que terminei o ciclo que hoje vejo que fechei. Sinto falta mas não desejo mais aquele tempo, quero novos sonhos, novas ideias e uma fonte inesgotável de criatividade para suportar a realidade hoje presente entre minha solidão e eu. Ei eu quero o presente da vida com a alegria precisa de quem é grato por viver.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Raiva

Percebi que estava mesmo com raiva. Sim, com raiva do Criador! Bendito autoconhecimento, benditos anos de Deus, de terapia, de psicologia. Por fim vejo alguns frutos dessa tão falada psicologia.

Minha raiva tem motivo, não tenho T. Bipolar apesar das aparentes inconstâncias de humor. Nem tudo o que sinto, expresso...não vejo utilidade em expressá-los. Daí a revolta começa, e brota da raiva reprimida, do não solucionado, da conversa não tida e pra quem não sabe, achar que mudei repentinamente de humor, é natural. Mas não me importo, não mais. E, eu sei, eu sei quando estou me evitando, me negando um diálogo franco, não quero enxergar a raiva. Evito, evito sim, por teimosia, e também para me fingir não humana. Ah, mas não agüento! E passei esses últimos três dias me fazendo de doida e recalcando tudo o que se referia ao mal resolvido da minha vida, ao pendente com Deus.

Três dias sem me dirigir diretamente a Ele. Três dias de pura estupidez, e humanidade, ora! Estava com raiva de Deus, querem sentimento mais humano do que este? E o mais impressionante foi resistir e contender com Ele inutilmente por três longos e miseráveis dias.

Tenho raiva por tantas coisas, por possuir esperanças num mundo absurdo, por nutrir uma crescente loucura dentro de mim. Por querer realizar sonhos tão meus e preciosos, e necessários. Sou feita de sonhos tanto quanto o universo é de ar. Respiro projetos, compartilho-os com Deus e nunca, nunca com os meus. Não me sentiria compreendida e humanamente me é necessário sentir. Ah Deus é, Deus é o amigo mais persistente que conheço, Ele me ama até quando estou de TPM, quando não quero ver ninguém, quando minha única vontade é de não existir aqui.

Tenho raiva por não compreender o que quero, por não ter racionalidade que me torne passível e possível de entender o amor, jamais saberei o que o amor é, sem aquele que o criou, e mesmo com Ele ainda não sei se um dia poderei amar. Não, o amor não é o que vemos, não é nada que se possa comparar. Ah, quem me dera um dia saber amar!

Não, não duvide. Fatos não se discutem, se testificam. Deus não nos ama por condição, não precisa nos provar nada, mas nos provou e prova. E seria eu, a última pessoa escolhida para ser amada, se realmente fossem avaliadas minhas características de personalidade...nem sei o que seria de mim que sou insuportavelmente chata em situações adversas, que me emudeço sempre que perco a paciência e que quando estou irritada não faço muita questão de minimizar os sintomas que me acompanham, por puro e bel prazer em ser sádica.

Bom, não gostaria de deixar este texto pela metade, apesar do incompleto sempre me interessar. Agora, amanhã e depois serão dias novos e espero que este desabafo tenha utilidade na vida de alguém além da minha própria e que vá além do mero sentimento de identificação, mas que promova reflexões válidas. No momento é só, até breve!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Sem nome

Estou triste, de uma tristeza que não tem nome, não tem nada. E sinto cheiro de saudade, de perfume suave daquela flor que já murchou. Minha flor era imarcescível, hoje já não sei mais.

A tristeza é minha e eu não queria que fosse. Eu olho e vejo nela uma parte do que restou e uma do que ficou. Não, eu não me arrependo de ter ido embora, e não deveria, mesmo porque não quero me arrepender de mim, sei que posso crescer, mas preciso de esperança pra investir no muito que já andei e no absurdo que esperei. Mas hoje não confio mais, não sei mais se foi válido acreditar-me tanto, investir tanto num alguém que perde as forças pelo caminho e apenas persiste para não se declarar derrotado.

Eu não sei desistir do que quero, não sei ir embora, fechar a porta da possibilidade, fazer as malas. Desaprendi a fazer as malas completamente, nunca faço as malas, eu vivo de refazer e desfazer o que um dia desejei imensamente e fiz.

Tive tanto medo de me arrepender que nunca fugi do que me foi imposto assim, eu nem pude decidir se aquilo era de fato uma escolha boa ou ruim. Porque eu só me vi forte quando precisei ser sozinha, existir longe de tudo, e eu ali acreditei quando já não sabia se podia contar com outro alguém além de mim.

Mas eu preciso de mais, não posso assim. Não tenho mais forças pra continuar uma jornada de mais um ano e meio sem a certeza deles aqui. Perto ou longe eles são sempre indispensáveis e a dúvida não me deixa prosseguir. Oh Deus dai-me a fortaleza que preciso para não fechar a caixa do baú e dizer, vou embora porque cansei e já não posso suportar viver sem o tudo que me fez existir.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Aniversário

Achei que os aniversários serviam de comemoração pelo ano que se passou, pela vida que se viveu, pelas experiências não, experiência é o nome que se dá aos planos frustrados, e ninguém que eu conheça comemora as frustrações.

Mas incrivelmente eu comemoro, eu comemoro mais coisas ruins do que boas, porque na verdade nunca aprendi muito com os momentos de pura alegria.

Eu só aprendo na surdina, no vazio e no silêncio. Só sei que vivo quando sinto a vida e ela só é percebida no gritante escuro da dor, no mais intenso sofrimento.

E eu achei mesmo que os aniversários serviam para comemorar, mas o que se comemora no aniversário senão a própria morte? A morte de um momento, a morte de uma pessoa que já não é mais a mesma, a morte de um existir que agora é menos um ano, menos um tempo.

Ah, mas então o que é o tempo?

Não, eu definitivamente não comemorarei mais uma data que me faz lembrar que não serei para sempre, que não serei eternamente.

E não quero mais saber de relógios, nem de ponteiros me indicando que preciso correr, preciso correr para existir de acordo com o que se prega nesse mundo aqui. Eu quero ser eu sem ter que ser o nós alienado, quero o eu conosco bem, num saudável que é doente pra o mundo que existe entre nós.