Sempre achei que tinha talento
pra escrever. Primeira mentira! Nunca acreditei nessa história de talento, muito
menos de dom...sempre achei que tudo fosse conquistado, e de fato, não estive
enganada.
Para escrever um texto comovente,
de lágrimas gritantes e olhos admirados, não é necessário ser descendente
direto de Shakespeare ou Camões, é preciso apenas um lápis, um papel e um
desejo: o de dizer. E por isso eu digo, digo por que digo
que escrever é um desejo estranho, ardente, sem muito precedentes, é a vida
pulsando em si.
Para escrever é necessário paciência,
determinação, amor.
Amor, absurdo amor. Pela vida, pelo
dizer que se faz caminho traçado em linhas. A vida não é linear, a escrita
jamais poderia ser. Por isso existem as crises,
aquelas em que temos tanto a dizer que mesmo a dor sendo dilacerante não
conseguimos se quer pensar num traçado perdido, numa palavra qualquer. Viver e
escrever são sinônimos para aqueles que sentem o desejo insano de a si mesmo
dizer.
Porque há, há os que sobrevivem
com as migalhas do mundo e há os que sobrevivem das migalhas do mundo e das
migalhas de si. Esses últimos são os poetas. Àqueles que não sabem esconder uma
dor assim lancinante, um olhar inquietante e um saber que a si mesmos não
enganam: existir é da ordem do impossível.
Escrever torna tudo mais leve.
Pegue um papel e diga, você que também pode ser! Veja se não é verdade que o
que tem vontade de a si mesmo dizer não é maior?! Chega de modismos cults, de ideias
pré-concebidas por pseudointelectuais. Todos são capazes de a si mesmo dizer, é
preciso apenas exercitar.
Assim como aprendemos a falar,
também precisamos aprender a dizer. E dizer num mundo mudo e movido pelo
absurdo, pelo automatismo da rotina diária que muito estraga e desfaz, é
difícil. Sobretudo porque a ideia de talento inato ainda é muito difundida...é
que alguns pretendem subir nos degraus da fama através de meios assim. Não os denuncio, suas próprias atitudes assim o fazem.
Eis porque nem todos conseguem ser
escritores, alguns ainda estão presos a esses conceitos, enquanto outros,
verdadeiros medíocres, sobem de algum modo. É difícil escrever, verdade. Mas não
é impossível. Por isso vai o meu conselho...Diga, sofra, chore, sangre, se esforce
e verás que não há nada do existir que no humano seja exclusivo, a dor de Ser é
comum a todos, há os que fogem dela e há o que a encaram.
Desejo que a encare e tenha uma boa escrita!



