Aqui já usei quase todo o meu repertório masoquista e desfiz boa parte das minhas ideias comunistas. Esse espaço é meu, mas desejei compartilhá-lo com o mundo, se você faz parte dele...Então seja muito bem vindo(a)!

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Sobre escrever




Sempre achei que tinha talento pra escrever. Primeira mentira! Nunca acreditei nessa história de talento, muito menos de dom...sempre achei que tudo fosse conquistado, e de fato, não estive enganada.

Para escrever um texto comovente, de lágrimas gritantes e olhos admirados, não é necessário ser descendente direto de Shakespeare ou Camões, é preciso apenas um lápis, um papel e um desejo: o de dizer. E por isso eu digo, digo por que digo que escrever é um desejo estranho, ardente, sem muito precedentes, é a vida pulsando em si.

Para escrever é necessário paciência, determinação, amor.

Amor, absurdo amor. Pela vida, pelo dizer que se faz caminho traçado em linhas. A vida não é linear, a escrita jamais poderia ser. Por isso existem as crises, aquelas em que temos tanto a dizer que mesmo a dor sendo dilacerante não conseguimos se quer pensar num traçado perdido, numa palavra qualquer. Viver e escrever são sinônimos para aqueles que sentem o desejo insano de a si mesmo dizer.

Porque há, há os que sobrevivem com as migalhas do mundo e há os que sobrevivem das migalhas do mundo e das migalhas de si. Esses últimos são os poetas. Àqueles que não sabem esconder uma dor assim lancinante, um olhar inquietante e um saber que a si mesmos não enganam: existir é da ordem do impossível.

Escrever torna tudo mais leve. Pegue um papel e diga, você que também pode ser! Veja se não é verdade que o que tem vontade de a si mesmo dizer não é maior?! Chega de modismos cults, de ideias pré-concebidas por pseudointelectuais. Todos são capazes de a si mesmo dizer, é preciso apenas exercitar.

Assim como aprendemos a falar, também precisamos aprender a dizer. E dizer num mundo mudo e movido pelo absurdo, pelo automatismo da rotina diária que muito estraga e desfaz, é difícil. Sobretudo porque a ideia de talento inato ainda é muito difundida...é que alguns pretendem subir nos degraus da fama através de meios assim. Não os denuncio, suas próprias atitudes assim o fazem.

Eis porque nem todos conseguem ser escritores, alguns ainda estão presos a esses conceitos, enquanto outros, verdadeiros medíocres, sobem de algum modo. É difícil escrever, verdade. Mas não é impossível. Por isso vai o meu conselho...Diga, sofra, chore, sangre, se esforce e verás que não há nada do existir que no humano seja exclusivo, a dor de Ser é comum a todos, há os que fogem dela e há o que a encaram.

Desejo que a encare e tenha uma boa escrita!

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Transit-ar




Quantas coisas se passaram....As madrugadas já não são suficientes para o turbilhão de pensamentos que me assolam. Os cinco anos que vivi, das histórias que a ninguém li e que se encontram mescladas na realidade e nos sonhos que esta semana revivi...De repente uma pessoa, em seguida as lembranças. O conservatório, as isoladas, o tempo de estudante pré-vestibular. O tempo de ingenuidade, o tempo de autoconfiança.

Agora? Agora a vida é outra, os amigos são outros, as pessoas que ficaram, estão. No meu passado e nem tão passado assim.  Eu me reencontrei e dei margem a uma série de sentimentos, redimensionei pensamentos, ressignifiquei o que ficou, e o que sobrou eu guardei pra mim.

Eu era meiga, sim?
De uma meiguice que não sei onde nem como, mas que se perdeu no caminho árido e seco que encontrei. Estou procurando os pedaços dos pães que alimentaram os pássaros selvagens na caminhada que percorri. Joguei migalhas na espera que nem todo passarinho comesse, porque achei que nem tudo que existe se pode perder. Boba que eu era, achei que não poderia, havia muita coisa que eu achava que sabia, e nem era mesmo poesia.

Invencível. Mas o que será e porque será que existe essa palavra? Quem é? Que humano é este e de onde vem? Ele existe? Se sim, eu nunca conheci.

As amarras estão se ajustando agora e eu como de costume, estou costurando os pedaços de pano que encontrei no caminho de volta pra casa. O percurso é sempre doloroso, porque as lembranças são doídas, as pessoas que ficaram queridas e o adeus em toda partida é o que se tem. Há também as malas, o que podemos levar e o que fica. E o que não fica não dá pra esquecer rapidamente, é preciso tempo, tempo pra esvaziar.

De tudo o que marcou, cicatrizes, do todo que sobrou, malas vazias- é que muito de mim deixei para trás-, e de tudo que permaneceu, um sorriso meia boca num rosto vivido.

Quem muito chorou sabe como é bom e preciso sorrir. Quem já perdeu vê na vitória a importância de agradecer e ser feliz. E quem já sentiu dor entende que tudo é transitório.

No final a gente compreende que é isso, só isso: o começo, só o começo. 


terça-feira, 24 de julho de 2012

Poiesis

POESIA

Eu vejo a minha frente um céu anoitecendo. Entre as nuvens do vasto horizonte se esconde agora o sol que outrora escaldante quase me derreteu os nervos. E fico com o nada da noite e com o tudo que o silêncio perpassa. Aí sim, sim, a alegria é festa.

Depois das horas perdidas no vazio calado e aflito da solitária noite me dou conta que falta-me a coragem para acreditar na morada que habito e que me causa espanto, a morada dos artistas.

Um oco dentro do estômago socado. Um arrepio de alma, um sonho.

Nada há que se fale para trazer-me a coragem precisa. Falta-me a mochila nas costas e hoje eu quero, mais do que tudo, preciso. Desejo insano, ardente, sem precedentes. Como ar que respiro, sem isso não dá. 
E eu sei que preciso, como um dente podre que torna tudo impossível, eu sei que sem essa dor não sobrevivo. A dor de ser quem sempre fui: Poeta-triste.

Nem sabia, mas tinha aqui dentro um baú, que guardado precisava falar e só se fala quando tudo sai do coração. E como necessito falar, aqui eu digo: o meu encanto sempre foi esse: a poesia.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Meu lugar



O tempo já não quero mais importar, o que eu quero e sei que posso, é o momento pra estar lá...No meu lugar de paz!
Eu que não tenho tido nem eu mesma, nem minha ânsia na procur-ação por mim, no mergulhar que outrora era diário e insano, está difícil e raro em si.

E estou sedenta. Sedenta do meu encontro comigo, e cansada, super cansada de tanta evitação. É que tenho desejado, mas paradoxalmente evitado, não me compreendo e nem acho que dá. Mas está tudo tão doído que me é impossível enfrentar.

Uma dor de dente não passa sem remédio ou extração. E hoje tenho sentido um canino arrancado indolente e desnecessariamente, eu que sempre escovei ritualisticamente os dentes! Como é possível? Não sei, não sei responder a nada agora, eu só quero sentir...me sentir.

E como está difícil. Massacrante está a corrida que disputo comigo mesma. Eu que tenho fugido às léguas de mim. E ouvir que antes era doído, mas menos fingido, está até cinicamente não garantido. Logo agora! O que há que se possa fazer nesta hora?

Não sei mais, estou procurando fôlego para ao menos descansar da corrida, e dormir. Dormir para renovar a pessoa fragmentada, que vos fala: é preciso urgentemente retomar a jornada, e abrir novamente os ouvidos para a música que não parou de tocar, mas que diminuiu o volume.

É preciso, eu preciso mesmo.
de ar.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Ser-poeta



Quem sofre demais?
Chora demais?
Se embebe demais da vida?

Quem acorda no mais alto pico de sono pra escrever?
Quem precisa desesperadamente a si mesmo dizer?
Sente demais, se angustia demais, e não se importa se é a tristeza sua melhor arquiteta?

Que enxerga além, que nem existe de tanta existência?
Que não se preocupa tanto com a aparência?
Que prefere a imersão dolorida de uma vingança de alma (um bom livro) ao esquecimento do automatismo diário?

Quem é assim?
Quem pode viver assim?
Quem se suporta desse jeito senão os loucos? Os loucos dos poetas!
Um dia à vida desses!
Um ode a dois, dois que merecem respeito: Os livros e os que os escrevem!
Aos poetas!