Aqui já usei quase todo o meu repertório masoquista e desfiz boa parte das minhas ideias comunistas. Esse espaço é meu, mas desejei compartilhá-lo com o mundo, se você faz parte dele...Então seja muito bem vindo(a)!

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Meu lugar



O tempo já não quero mais importar, o que eu quero e sei que posso, é o momento pra estar lá...No meu lugar de paz!
Eu que não tenho tido nem eu mesma, nem minha ânsia na procur-ação por mim, no mergulhar que outrora era diário e insano, está difícil e raro em si.

E estou sedenta. Sedenta do meu encontro comigo, e cansada, super cansada de tanta evitação. É que tenho desejado, mas paradoxalmente evitado, não me compreendo e nem acho que dá. Mas está tudo tão doído que me é impossível enfrentar.

Uma dor de dente não passa sem remédio ou extração. E hoje tenho sentido um canino arrancado indolente e desnecessariamente, eu que sempre escovei ritualisticamente os dentes! Como é possível? Não sei, não sei responder a nada agora, eu só quero sentir...me sentir.

E como está difícil. Massacrante está a corrida que disputo comigo mesma. Eu que tenho fugido às léguas de mim. E ouvir que antes era doído, mas menos fingido, está até cinicamente não garantido. Logo agora! O que há que se possa fazer nesta hora?

Não sei mais, estou procurando fôlego para ao menos descansar da corrida, e dormir. Dormir para renovar a pessoa fragmentada, que vos fala: é preciso urgentemente retomar a jornada, e abrir novamente os ouvidos para a música que não parou de tocar, mas que diminuiu o volume.

É preciso, eu preciso mesmo.
de ar.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Ser-poeta



Quem sofre demais?
Chora demais?
Se embebe demais da vida?

Quem acorda no mais alto pico de sono pra escrever?
Quem precisa desesperadamente a si mesmo dizer?
Sente demais, se angustia demais, e não se importa se é a tristeza sua melhor arquiteta?

Que enxerga além, que nem existe de tanta existência?
Que não se preocupa tanto com a aparência?
Que prefere a imersão dolorida de uma vingança de alma (um bom livro) ao esquecimento do automatismo diário?

Quem é assim?
Quem pode viver assim?
Quem se suporta desse jeito senão os loucos? Os loucos dos poetas!
Um dia à vida desses!
Um ode a dois, dois que merecem respeito: Os livros e os que os escrevem!
Aos poetas!


sexta-feira, 16 de março de 2012

Vez outra



Estou tentando acertar os ponteiros de um relógio antigo, de um relógio que havia esquecido no fundo de uma gaveta.
Agora que o achei quero adiantar as horas, como se assim pudesse compensar todos os segundos atrasados no tempo. E é difícil perceber isso e saber ser essa a minha verdade inegável, absolutamente confessável.
Eu confesso que no ponteiro do relógio eu também havia me abandonado, havia deixado tudo guardado no fundo de uma gaveta perdida. E tudo, tudo resgatei pelo velho relógio esquecido, empoeirado e vivido.
Agora, com ele em mãos eu procuro acertar os ponteiros, colocar pilha nova, vida outra pra o tempo que tento perdoar porque passou e perdi.
Perdi e neguei, olho pra trás e o que vejo me confirma, então humildemente tenho que aceitar que eu falhei, sim, falhei. Porque meu relógio precisou de pilha nova e tudo o que eu fiz foi colocá-lo no fundo de uma gaveta...eu que não sabia como pedir ajuda, eu que nunca deixei ser ajudada.
As horas que perdi, hoje tento ressignificar em pessoas outras que conheci, em amigos outros, parentes outros que eu tentei fazer aqui. E não me culpo, aprendi que as horas não apenas precisam ser observadas, sentidas, mas acima de tudo precisam ser bem vividas. Às pessoas que eu magoei com meu atraso, o meu sincero silêncio, porque ele sim falará ao coração de quem assim como eu aprendeu a ler as palavras ditas no vazio.
Aos que eu novamente olhei, não, não esqueçamos o que tudo foi, nem tudo o que hoje é. Porque somos mais do que os acontecimentos, somos mais do que relógios díspares, somos humanos, somos imperfeitos e nisso consiste a nossa beleza.
Quer erramos, quer falhemos, que sejamos sinceros...que seja tentando acertar, que seja honestamente, autenticamente. Que o movimento hoje não seja apenas de uma mão, o movimento seja de dois olhos que enxerguem além, que façam brotar águas salgadas e límpidas que permitem visão além do alcance, permitem amor.
Amemos, a humanidade e tudo o que ela contem.
A dor, o sofrimento, as perdas, a saudade, o ontem, o hoje e tudo o que for de nossa condição.
Amemos. Porque amando a isso, a nós mesmos amaremos. 


terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Ninguém é


Ninguém é.
Todo mundo pode ser.
Imprescindível não existe quando a gente para e pensa.

O outro nos é importante para nos fazer suportar o absurdo da vida, mas nem você nem eu somos imprescindíveis a ninguém.

O desamparo nos é possível porque há tantas formas de esquecê-lo, de sublimá-lo, de expressá-lo. Eu me escrevo aqui nestas linhas, há contudo quem se escreva e inscreva numa pauta musical, quem seja num outro corpo de amor, quem se proteja no calor de outrem.

Eu sou na literatura, na alegria da música também. Sou só e preciso suportar minha solidão comigo mesma, com meus livros, com o que desconheço de mim. E não sei ser sem as artes, sem o prazer de me abandonar na leitura e me esquecer de mim. É preciso se esquecer às vezes, como é preciso!

O Deus me ensinou sobre o necessário na vida e com uma verdade absoluta, universal, irrefutável, afirmo que não sou eu, nem é você.
O necessário, o imprescindível é o nós-conosco, o outro que pode ser você hoje, mas amanhã, amanhã poderá ser qualquer outro.

O indispensável é aquilo que não se vê, o imprescindível é o Deus!


sábado, 18 de fevereiro de 2012

Ser-me





Talvez um dia eu me liberte de tudo o que me atrapalha, me cansa e me faz mal, quem sabe...Quem sabe eu consiga lembrar sem dor de algumas imagens, consiga encarar sem medo e sem lágrimas, momentos que vivi e que ainda estão vívidos em mim. Que recorde, re-cordis mesmo com o coração, sentindo as emoções sem culpa. Culpa por tudo, por nada, por mim.

Por mim que quis sempre fazer tudo certo e que nessa ânsia de acertar, me feri.
Feri tanto que ficou um buraco negro aqui dentro, sem que ninguém pudesse me ajudar a prosseguir.

Porque a ajuda precisava partir de mim, que acima de tudo urgia em pedidos...Pedidos secretos e clementes por socorro, eu que negligenciava o amor à torta e trôpega humana que sou.

Impulsiva, espontânea e destrambelhada...Sou, fui, não sei se serei.

É que não aceito injustiça, não consigo, nem quero.
E é-me injusto permanecer cometendo os mesmos erros, porque da vida só tenho uma certeza: a de que nada é eterno.

Por isso, quero tentar aceitar as minhas injustas medidas, não conformar-me.
Ao contrário, melhorar-me, mas sem pressão, medo, ansiedade, insônia, desespero...
Eu só quero tentar ser-me completa, ser a menina que um dia fui: feita de luz.