Aqui já usei quase todo o meu repertório masoquista e desfiz boa parte das minhas ideias comunistas. Esse espaço é meu, mas desejei compartilhá-lo com o mundo, se você faz parte dele...Então seja muito bem vindo(a)!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Co-mo-ver



Ainda choro de saudade, me coloco no lugar dos outros e me revolto com injustiça. Ainda me emociono com um livro, brinco com crianças e converso com cachorros. Sabe que eu falo sozinha? Adoro tomar banho de chuva e dou risada quando não pode?! Sim, eu gosto das coisas simples e não troco tudo isso por riqueza ou bens, títulos ou posses. Eu sou jovem, mas sei que tempo não diz sobre maturidade...afinal há tantos adultos infantis e tantas crianças adultas! E tenho dito... eu quero é viver a simplicidade da vida, porque nela está a verdadeira beleza.

Sinto por aqueles que ainda procuram viver em função de seus egos, de suas vaidades. Sinto por aqueles que disputam desesperados pelo poder para provar a si e aos outros o que são capazes de fazer...esses eu vejo que não compreenderam a maior verdade da vida: Tudo o que levamos conosco está no coração! Por isso no dia da minha partida quero estar com meu coração em paz, levando comigo o amor e a gratidão recebida.

Queria pedir que não seja somente uma data que motive a vocês meus amigos a refletirem sobre solidariedade, afeto, sinceridade...que seja um exercício diário, um exercício que não dependa do calendário de festividades. Que seja a consciência de que somos um ser-para-morte e que hoje estamos aqui, mas amanhã...amanhã? Bem amanhã é outro dia que por sinal não possuímos, nem poderemos.

Por isso eu desejo para todos os que ficaram e para os que passaram na minha vida, momentos de reflexão sobre seus atos, momentos de perdão e acima de tudo momentos de sinceridade. Seja sincero consigo mesmo, avalie suas atitudes e sim, se em 2012 você não fez o seu melhor, repense...vale a pena. Que o ano que está bem perto de iniciar possa vir coroado pelo maior ensinamento de Cristo: a humildade. Porque sem ela é impossível agradar a Deus, impossível alcançar o próximo, impossível ser feliz, porque a arrogância distancia as pessoas, é o amor e somente o amor quem apaga multidões de pecados. Um abraço cheio de afeto aos meus amigos que estiveram comigo neste ano de significados, sentidos, anseios, alegrias e crescimentos. Obrigada a todos que de uma forma ou de outra me ensinaram, mesmo àqueles que não foram educados, que me decepcionaram, me magoaram. 

Que em 2013 eu não crie tantas expectativas, que eu seja mais leal, mais gentil, menos agressiva. Que em 2013 eu valorize mais minha intuição, rejeite climas tensos e saiba dar limites aos que precisarem mais do que o meu expressivo olhar pode ofertar. Que em 2013 sejamos menos egoístas e mais sensíveis, menos mesquinhos e mais honestos. Que estejamos mais perto de Deus e que os limites sejam transpostos com diálogos sinceros. Que possamos aprender a essência do evangelho: AMAR! 
Esta é a minha oração a Deus para o ano que se inicia, em nome de Jesus, amém! 

Feliz Ano Novo para todos que acreditam que a mudança precisa começar primeiro em si! Que Deus nos ensine a co-mo-ver! *____*



quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Essa menina angustiada...





À menina angustiada, um copo de vidro.
Um copo de vidro para a menina angustiada, 
que se angustia
e que sabe que é bom.
Que beberá nele o que vier,
o que lutar
e o que se esconder.
Deixar-se-á cair o copo?
Terás um drink?
Guardarás?
Ah, menina angustiada,
que num fogo, no relento
chega a brilhar!
Chega a ser devasta(dor)a.
E nesse pranto, apara com o copo
e bebe dele o que foi dela mesmo.
Seria estranho, seria triste?
Há uma menina angustiada
que se mobiliza e alça voo.
E nesse voo, com essa angústia...
percebe que é a ela mesmo que tem que dar por merecer...
por ser feliz...
por ser quem é...
(e por quem vai ser).
A você, menina angustiada!


Um abraço bem caloroso.
cuti cuti.



Para mim, para Jailton e para todos os meus amigos,
com todo o meu afeto e gratidão:

Coisa linda é ser surpreendido por um texto desses que me arrebatam os sentidos! Que me deixam como criança boba lendo e relendo espantada! Ah os amigos..., são esses encontros inesperados da vida, são vocês e são eles, que me emocionam e me fazem crer que apesar das crueldades do mundo ainda existem pessoas pelas quais vale a pena se doar. É por isso que eu espero estar presente na sua existência Jailton, desde agora até o dia que meu Dasein for para o seu lugar final: a morte.

Obrigada por tudo, não vou te dizer adeus porque você não vai mais sair da minha pobre life, tem lugar pra você de sobra, de graça e pra todo o sempre! Te amei desde o primeiro dia e agora mais do que nunca quero te conhecer mais!
Saiba, sua amizade é me indispensável!

Amo você seu fofo! *___*

Arrematando os pontos



Sinto que perdi, perdi para ganhar. Ganhar em autoconfiança, ganhar em perseverança.
Sinto que me falta...me falta chorar um pouco pela despedida, pelo final que já é hoje, já chegou. Mas foi a dor, me esculpiu dureza, estou resistindo, mas vai chegar a hora, eu sei que vai.
Cinco anos eu tenho de histórias escritas e despidas em um trabalho que fala de mim, mas que não me possibilitou ir mais além. Porque tentaram, tentaram me privar.
Eu sei que a liberdade que eu tenho assusta, nem eu às vezes sei lidar com a minha vastidão. Por isso fui rejeitada, criticada, ameaçada. Feriram minha integridade moral, tentaram destruir meu emocional.
Mas eu cheguei ao fim!
Eu fui forte porque quem está comigo é o justo juiz, Ele provou a mim que ninguém poderá me deter porque é Ele quem me quer assim: honesta.
Não vendi meu caráter, não me troquei por vaidade.
Porque minhas vestes são outras, minha glória não está aqui! Os títulos são apenas papéis que as traças corroem: A vida transcende!
TRANSCENDE.
Eu não quero ser profissional medíocre que precisa se aproveitar das fraquezas alheias para mostrar a força que tem. Não quero disso fazer uso! Eu lanço mão do olhar, do gesto e do afeto. Por força não, por violência não, disso eu abro mão.
Estou feliz, mas é por mim que fiquei livre, livre das amarras institucionais que tentaram me aprisionar e que tantas vezes achei terem conseguido me acabar.
Mas hoje sou eu quem bato no ombro deles e digo: ninguém poderá!
Eu sou mais forte, tenho o que vocês com toda sua vaidade e presunção não tem, eu tenho DEUS e contra Ele não há quem possa!
Obrigada meu Senhor por me provar tua boa, santa e agradável vontade, tu és TREMENDO e não há homem que diante de teus feitos não se dobrem! 
Toda honra, glória e majestade seja dada a ti e somente a ti! 


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Verdade



"Levantei-me. O tiro de misericórdia. Porque estou cansada de me defender. Sou inocente. Até ingênua porque me entrego sem garantias".
(Clarice Lispector)


Estive silenciosamente pensando. Em nada... E é difícil deixar-se entregue ao nada dos pensamentos que impressionantemente falam.

Perceber-se enquanto humana, cheia de imperfeições é um exercício necessário que só me tem feito bem. Eu que tanto fugi de mim e agora estou aqui tão tranquila comigo que me espanto! E me abismo porque noutros tempos eu sei que estaria absolutamente triste comigo e pior, culpada. O bom é que a tristeza dá e passa, a culpa não. É um bicho cruel que te corrói o coração e o amor. O amor por si que acaba se desfazendo lentamente. Mas hoje eu vejo sem medo, sem medo de perceber a pessoa bonita e honesta que sou.

Porque eu sei que fui... Eu fui fiel ao que acredito ser verdadeiro, e verdadeiro é ser honesto: honesto consigo e com os outros.

Fui e tenho sido!
Não minto, não sou dada a essa falha de caráter. Tenho muitos defeitos e reconheço-os sem o horror de outrora. Se por acaso vier a me envergonhar é por acreditar presunçosamente que acertei e depois perceber que apenas me iludi. Mas isso é por hoje me admitir humana, me aceitar como tal.

Mas há aqueles que não conseguem se permitir o erro.  
Eu?  Eu não digo nada, às vezes o silêncio é a melhor forma de resposta, de amor. Porque deve haver nessa perfeição uma necessidade. E não me acho no direito de questionar as necessidades alheias. Cada qual com a sua, eu que tenho a necessidade urgente de ser o que sou. Não me cabem carapuças, não me doem indiretas, porque eu vivo na extrema necessidade de ser sincera. Prefiro ainda que pague um ônus caro por. 

É o que me faz plena de mim.

Prejudico-me se necessário for, mas mantenho o mínimo da minha dignidade e não, eu não minto! E tenho mais do que motivos para manter fixa essa postura. Mesmo que o mundo inteiro diga o contrário, eu simplesmente não minto, não suporto. Já tenho defeitos para doar aos milhares, não preciso de mais esse para acrescentar ao meu currículo.

Sinto muito para quem se sente incomodado comigo, não posso ser aquilo que não aguento. Cada um sabe a dor de Ser, e hoje mais do que nunca me respeito, me aceito e tenho tentado fazer de mim o melhor que acredito. 

Espero com coração trêmulo de fé que um dia as pessoas a quem confiei segredos de alma e as que não, que não só entendam, mas compreendam que ser sincero não é ser “idiota”, “burro” ou qualquer um desses adjetivos pejorativos facilmente atribuídos àqueles que ainda tem a coragem de Ser.

Eu falo por mim, acredito por mim... mas ardentemente espero que a vida seja feliz nos seus ensinamentos e os ajude nesta valiosa lição. Porque vale a pena ser sincero apesar de.

Obrigada a todos os que me fizeram acreditar que não é vão, o movimento de autenticidade não é vão e que não é sincero aquele que diz que não dá pra ser autêntico o tempo todo. Dá, é questão de querer, de ser sábio, de esperar o momento certo para Ser!

Porque não preciso dar minha opinião o tempo todo, não preciso dizer quando não concordo, o silêncio pode comunicar meus intentos. Não preciso fingir amizade para estar ao lado de quem não suporto só para saber o que a pessoa trama. Não preciso me preocupar com o que pode me fazer o homem, porque eu sei em quem confio e de que sua justiça não falha independente dos meus erros e defeitos. 

Porque Ele não se deixa corromper, Ele simplesmente é fiel a si mesmo e a sua palavra. Eu só tenho que dizer: obrigada Senhor, mais uma vez eu te agradeço pelos teus valiosos ensinamentos!

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Para lembrar de mim



Levantei, não por que eu quisesse, claro! É que quando dá a hora do famigerado do meu cão comer, ele simplesmente liga a sirene de Pavlov e se desembesta a latir. É um saco, eu sei. Mas eu se fosse ele não faria diferente. Odeio passar fome, odeio. E só me dou conta do quanto odeio, justa hora em que estou completamente absorta pela fome, com o estômago colado nas costelas, como dizem os adoradores de hipérboles.

Ontem estava lendo Kafka, assim como quem não quer nada eu fui ao supermercado e por feliz coincidência deparei-me com uma estante de uma editora de bolso. Com a fila para o caixa parada me permiti o luxo de ficar distraída observando os títulos em questão. Foi quando me encontrei com ‘Um artista da fome’, e logo, não pensando muito, inclui na minha lista de indispensáveis do dia. Pronto, a cesta de compras ficou completa!

Cheguei em casa e fui guardar as compras, lembrei de Kafka e corri pra me presentear com uma leitura assim, dada numa terça-feira de agosto. Pensei em como iria ler aquilo na minha última semana de férias...? Eu que deveria ler Augusto Cury, num desses temas autoajuda: Como sobreviver ao último final de semestre ou 12 dicas para sobreviver ao término da faculdade! Mas não, fui ler Kafka mesmo!

Um mergulho, um suspiro, um medo.

Meu Deus o que foi aquilo? No primeiro conto intitulado de “Primeira dor” já deu pra sentir a densidade e respirei fundo na empreitada. Fui lendo e à medida que virava as páginas minha respiração foi ficando ofegante até que na história de “Uma pequena mulher” eu já estava perplexa. Quando chegou no “Artista da fome” eu nem respondia mais aos estímulos do ambiente, estava absolutamente em transe, estática, paralisada num aprisionamento de uma série ininterrupta de pensamentos.

Tive que ir parando, respirando novamente bem devagar, e finalmente fui observar o ambiente pra criar nova coragem, nova roupagem para só assim ir adiante. Kafka consegue me arrancar suspiros chocantes. Eu estava espantada e me perguntando se era possível tanto horror assim... De graça!

Quando já caminhava ao final do conto, permaneceu a indagação me incomodando, será mesmo que é dessa forma que se sentem os artistas? Como assim um espetáculo que a ninguém mais interessa? Como? Que fome é essa? De onde vem...e eu já estava filosofando sem querer.

Cheguei ao final e o que mais me deixou perplexa foi com que destreza foi finalizado o conto, pois que nas últimas palavras do ‘artista da fome’ havia tudo! Ele disse: “Porque eu nunca encontrei a comida que me agradasse. Se eu a tivesse encontrado, acredite, eu não teria feito nenhum alarde e teria comido até me empanturrar, como você e todo mundo” (KAFKA, 2011, p.46).

Não precisei de mais respostas. O que eu precisei, encontrei. Num olhar curioso, de uma criatura que me perguntou se aquela era a biografia de Kafka eu me encontrei de novo e respondi de ímpeto tudo o que sabia, tudo o que naquela hora podia. Mas o que sabia nem sei se era mais verdade. O que respondi foi que não, aquela não era a biografia dele, mas a obra que segundo alguns críticos era a mais autobiográfica. 

Em frações de segundo disse a mim mesma...autobiográfica dele?
Dele nada, minha! Pena que Kafka pensou antes, viveu antes, sofreu antes. Foi tanta identificação em tão pouco tempo que tive a ligeira sensação que nos conhecíamos de algum lugar. Mas aí, aí me lembrei que tivera sido de uma Metamorfose distante, de umas horas perdidas na frente do computador, numa tarde de julho qualquer e sem nenhum fisioterapeuta xeretando nossa conversa. 

Crônica inspirada em: UM ARTISTA DA FOME seguido de NA COLÔNIA PENAL & OUTRAS HISTÓRIAS da L&PM POCKET.