Aqui já usei quase todo o meu repertório masoquista e desfiz boa parte das minhas ideias comunistas. Esse espaço é meu, mas desejei compartilhá-lo com o mundo, se você faz parte dele...Então seja muito bem vindo(a)!

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Andava pela estrada serenamente, sozinha caminhava a passos lentos e pensando no que haveria de fazer com aquela vida que teria de levar por mais um tempo.

A solidão que a carregava para o isolamento teria sido mais forte não fosse as mãos daqueles que costumava chamar de amigos. Sim, os amigos mesmo distantes se tornam ainda mais presentes nos momentos de crise.

Estava em crise, mais uma das tantas crises existenciais pelas quais passou. Esta última surgiu sobretudo de sua incansável reflexão a respeito do seu próprio mundo e de todas as coisas que o cercavam. Ela não acreditava mais estar em crise, acreditava ser a própria crise. Mas sorria, não se incomodava mais, não sentia mais, nada...nem dor nem prazer, nem alegria nem tristeza, nada, ela não sentia mais nada!

Sim? E o que dizê-la nesta hora tão amarga?

Não poderiam, as palavras não mais possuíam poder para. Transformação? Ela desconhecia o significado desta palavra. Realidade? Só uma, a de que ela sofria. De um sofrimento inexplicável e imensurável. Sofria por esse estranhamento, sofria por não suportar ver tantos peixes reunidos num mar raso e poluído. Sofria porque não era igual e sabia ser impossível tornar-se.

Sofria, ela sofria.

2 comentários:

  1. Ainda preciso insistir: você escreve muito bem... E não precisa que ninguem lhe diga isso.Você sabe bem o quanto é talentosa e esforçadamente critica. Continue assim.

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  2. Amei esse...
    É horrível ter que se adaptar há um mundo que parece que não lhe pertence.
    Ser igual????
    Pra que???
    É melhor sofrer no diferente e ser nós do que morrer no comodismo de se tornar igual.

    Um grande abraço, au revoir!!!

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